Qual a solução para as megacidades?

Em 2030, a população mundial deve chegar a oito bilhões de habitantes. Destes, 2/3 devem viver nas cidades. Foi com esta preocupação que o MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), em parceria com o museu de artes aplicadas de Viena, trouxe à tona a mostra “Crescimento desigual: táticas de urbanismo para expandir as megacidades”, que fica em cartaz até 10 de maio de 2015.

A exposição é o resultado de um esforço conjunto – durante 14 meses (!) – de vários estúdios internacionais, que investigaram o crescimento seis metrópoles: Hong Kong, Istambul, Lagos, Mumbai, Nova York e Rio de Janeiro. Com a pesquisa em mãos, os profissionais estudaram novas estratégias para o desenvolvimento em grandes cidades. Na mostra, é possível ver desenhos, projetos, representações, animações e vídeos que mostram condições pragmáticas e vanguardistas para a expansão de melhores condições de produção e de vida.

Uma das principais conclusões a que os pesquisadores chegaram foi que vale a pena empregar táticas de um urbanismo democrático, pois a comunidade costuma se engajar mais quando colabora no processo que quando recebe o planejamento urbano pronto. “A exposição reúne cenários para desenvolvimentos futuros que, simultaneamente conscientizam sobre este crescimento desigual e falam do papel do arquiteto, que está mudando diante desta crescente urbanização. Então, pedimos a cada equipe que considerasse como novas formas de urbanismo podem responder às alterações da natureza do espaço público, das moradias, da mobilidade, das condições ambientais e de outros assuntos importantes para um futuro próximo”, explica o organizador da mostra, Pedro Gadanho.

Paralelamente à exibição, foi criado um site (http://uneven-growth.moma.org/), em que o público pode postar exemplos de táticas de urbanismo pelo mundo que deram certo. Se não conseguir programar uma visita ao MoMA até maio, veja abaixo as principais descobertas dos arquitetos envolvidos nesse projeto:

Lagos, Nigéria – Pesquisa do escritório NLÉ e da plataforma online Zoohaus/Inteligencias Colectivas

Lagos - O transporte

Lagos – O transporte

Lagos - O sistema de energia

Lagos – O sistema de energia

Lagos - O sistema de águas

Lagos – O sistema de águas

O projeto imagina estratégias para os sistemas de transporte, água e energia, com tipologias arquitetônicas que falam da complementariedade entre uma consciência global e um objetivo local. Traduzindo: a proposta é realizar uma transformação na infraestrutura que enriquece o tecido urbano, mesclando a inteligência local com tecnologias globais.

Clique aqui para ver o vídeo desta proposta.

Rio de Janeiro, Brasil – Pesquisa do escritório RUA Arquitetos e da MAS Urban Design.

O jeito carioca de fazer cidades

O jeito carioca de fazer cidades

O jeito carioca de fazer cidades

O jeito carioca de fazer cidades

Em “O jeito carioca de fazer cidades”, a proposta era criar uma série de “produtos para a varanda”, ou seja, estruturas que ficam nas lajes das casas e promovem um engajamento coletivo. “Será uma interface entre o indivíduo e a comunidade, que oferecerá um espaço para negócios, encontros e diversão”, explicam os pesquisadores.

Nova York, Estados Unidos – Pesquisa do SITU studio e da cooperativa Cohabitation Strategies 

A outra NY - projeção da vista aérea

A outra NY – projeção da vista aérea

Os profissionais propuseram duas abordagens alternativas: um fundo coletivo para habitação, que constrói edifícios em terrenos de propriedade de uma comunidade e garante “moradia acessível e, ao mesmo tempo, igualdade social para as futuras gerações”, segundo a equipe da Cohabitation Strategies. A segunda fala de “corporações de crescimento”, que utilizam espaços mal aproveitados para uma expansão inteligente. Os rooftops (terraços) de prédios podem ganhar jardins e outros espaços ocupáveis, neste urbanismo do futuro, onde terrenos disponíveis estarão cada vez mais raros.

Hong Kong, China – Pesquisa do escritório MAP e do laboratório de arquitetura Network

Hong Kong - a ilha de recursos

Hong Kong – A ilha de recursos

Hong Kong - A ilha de recursos

Hong Kong – A ilha de recursos

O esquema propõe oito ilhas artificiais ao longo da costa. “A ideia é baseada no processo de reterritorialização  de ambientes que já existem. Cada ilha vai reunir os principais valores de Hong Kong: Ilha do Mar, Ilha dos Recursos e Ilha do Excesso são três exemplos”, explicam os profissionais.

Istambul, Turquia – Pesquisa dos estúdios Superpool e Autogérée

Istambul - Táticas para um desenvolvimento resiliente

Istambul – Táticas para um desenvolvimento resiliente

Kito é o nome deste projeto que responde aos anseios do desenvolvimento pós-industrial. Ele transforma complexos habitacionais que já existem em espaços novos, em diferentes escalas e níveis, graças à resiliência do retrofit. Uma rede online, a KITO’da facilita a vida dos moradores graças a uma economia alternativa que liga prestadores e consumidores de serviços locais. Trata-se, novamente, do empoderamento da comunidade, para que ela ofereça, receba e compartilhe serviços, bens, conhecimento e até energia.

Mumbai, Índia – Pesquisa da organização comunitária URBZ: user-generated cities e do estúdio Ensamble/ MIT-POPlab

Perspectiva de Mumbai, Índia

Perspectiva de Mumbai, Índia

Aqui, é central a responsabilidade expandida dos indivíduos para moldar a comunidade. Os designers observam: “São os usuários que farão a diferença final aproveitando as ferramentas das instituições e de experts para continuar fazendo o que sempre fizeram: controlar o ambiente ao seu redor, porém agora com mais profissionalismo e bom senso”.

 

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Metrópole Arquitetos vence Concurso MIS PRO

A gente falou aqui no Living Design sobre o concurso MIS POR, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, com organização do IAB-RJ, para definir o projeto que será implantado no Museu da Imagem e do Som (MIS PRO) no bairro carioca da Lapa, lembra? Então, ele recebeu 54 inscrições e o resultado foi anunciado no começo de dezembro.

1º Lugar do Concurso MIS PRO 1

Silvio Oksman, Beatriz Vicino, Marjorie Nasser Prandini e Vito Macchione, do escritório Metrópole Arquitetos, de São Paulo, foram os vencedores. A comissão julgadora do concurso destacou a solução apresentada pelos profissionais, que agrupa de maneira simples e racional os volumes construídos, permitindo que espaços vazios apareçam como elemento predominante. Foi ressaltada, ainda, a beleza da paisagem interna do edifício, proporcionada, de maneira elegante, pela volumetria que dialoga com os espaços vazios.“O partido tem duas premissas principais: a primeira é entender o valor que existe naquele tecido urbano para ser preservado. Decidimos manter a fachada da rua e respeitar o gabarito, de modo que o prédio não se sobressaísse no contexto da Lapa. Depois, dentro de limites, propusemos a extensão do espaço público para o interior da construção”, disse o arquiteto Silvio Oksman, do Metrópole.

1º Lugar do Concurso MIS PRO 2

 Em segundo lugar, ficou o trabalho de Pedro Varella, Caio Calafate e Sérgio Garcia-Gasco, do Rio de Janeiro. A equipe de Pedro venceu, recentemente, o concurso que escolheu o projeto para o anexo da Fundação Rui Barbosa, em Botafogo. O terceiro colocado foi o arquiteto André Lompreta de Oliveira. A primeira menção honrosa foi concedida ao estudo dos arquitetos Pablo Emilio Robert Ereñú e Eduardo Rocha Ferroni, de São Paulo; e, a segunda, ao trabalho de Matias Revello Vazquez, Eduardo Antunes Bavaresco, Greice Viviana Portal Salvati, Rodrigo Romanini e Rodrigo Salvati, do Rio Grande do Sul.

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Junto com a sede do MIS, em Copacabana, o MIS PRO formará um complexo museológico.  Enquanto no novo prédio na Avenida Atlântica o foco é na atração de visitantes, com exposições, programação cultural e programa educativo, o MIS PRO, na Lapa, abrigará a reserva técnica, os laboratórios, projetos de pesquisa e exposições menores.

O acervo do museu reúne 300 mil itens divididos em discos, filmes, fitas de áudio e vídeo, películas, fotografias, partituras, documentos textuais, documentos bibliográficos e objetos tridimensionais (indumentárias, medalhas, instrumentos musicais, troféus, entre outros).

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O novo Museu de Arte da América Latina

Fernando Romero 1

Há poucos dias, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autorizou a permanência legal de milhões de imigrantes ilegais no país, a maioria deles latinos e hispânicos. O fato histórico motivou a criação de um novo museu, dedicado à arte latino-americana para repensar a importância das manifestações artísticas e arquitetônicas destes países na terra do tio Sam.

Fernando Romero 2

O LAAM (Latin America Art Museum) ficará em um complexo residencial com 111 apartamentos para reforçar o conceito de qualidade de vida + estética defendido pelo escritório de arquitetura FR-EE / Fernando Romero Enterprise, responsável pelo projeto que ocupará mais de 8.300 metros quadrados de área construída.

Fernando Romero 3

O arquiteto mexicano Fernando Romero propôs um edifício generoso em terraços e espaços abertos para mesclar com naturalidade exterior e interior. Nos jardins, obras de arte ao ar livre completarão a beleza do paisagismo, o que vai enfatizar esta “arquitetura tropical”, com grande circulação de ar natural e as presenças constantes do mar e do sol, tão importantes na Biscayne Bay, endereço do local, em Miami.

Fernando Romero 4No primeiro andar, funcionarão galerias de artistas jovens e emergentes, no segundo, mostras temporárias e no terceiro ficará o acervo de 600 peças da coleção permanente, além de um restaurante no rooftop.

Fernando Romero 5

O objetivo do arquiteto é que o LAAM se torne ponto de encontro de artistas latinos nos Estados Unidos e promova uma constante apreciação e reinterpretação da arte latino-americana. Aliás, o projeto foi apresentado justamente durante o Art Basel Miami Beach 2014, um dos eventos mais importantes do calendário artístico mundial.

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O mapa tipográfico de São Paulo

Mapa Tipográfico de SP

A arquiteta e artista finlandesa Suse Miessner costuma explorar em suas obras a relação entre as novas tecnologias e o comportamento das pessoas no espaço público. Um de seus mais novos projetos é a obra colaborativa “Urban Alphabets”, que as pessoas mapeiam cidades de acordo com as tipografias encontradas em suas ruas. A ideia é mostrar uma face das cidades que quase ninguém vê: a tipográfica. Suse esteve em São Paulo para o SP Urban Digital Festival, que aconteceu no começo de dezembro, apresentando a obra.

A criação funciona assim: por meio do aplicativo Urban Alphabets, os usuários registram seu próprio “alfabeto urbano”, tirando fotos pela cidade e transformando imagens em letras. O conteúdo fica registrado no app e site do projeto. Assim, além do mapeamento, é possível combinar os diferentes alfabetos urbanos para criar mensagens. Durante o Festival, os alfabetos e mensagens criados em São Paulo foram exibidos em vídeo. O principal objetivo era encorajar os participantes a criarem uma identidade visual diferente para São Paulo.

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Como reinventar os edifícios

“Quando ainda era estudante, viajei para estudar sobre habitações na América do Norte. Lá, conheci todo o país e vi diversos edifícios altos de residências públicas em todas as grandes cidades. Aqueles que não tinha escolha, viviam lá”. É assim que o arquiteto israelense Moshe Safdie começa sua palestra no TED (fundação privada sem fins lucrativos que realiza conferências para ajudar a mudar o mundo).

Moshe ficou conhecido pelo projeto Habitat 67, um edifício residencial feito de cubos pré-moldados, que fica no Canadá. E nesta palestra ele conta que percebeu, já naquela época, que habitat de verdade deveria ter natureza, ruas e ser desejável. Ser acessível e dar qualidade de vida. E dedicou sua vida a estudar estes conceitos.

Habitat 67

Habitat 67

Foi à China, veio ao Brasil e ficou impressionado com a alta densidade populacional, com as pessoas vivendo em arranha-céus sem nenhuma qualidade de vida. Há cerca de quatro anos, começou a pesquisar um projeto em que a luz natural não encontrasse obstáculos para entrar a residência e o contato com a natureza fosse constante.

O novo projeto do arquiteto

O novo projeto do arquiteto

Chegou a um modelo misto, em que comércio, escritórios e residências funcionassem em uma mesma estrutura. A forma de pirâmide permite que as comunidades tenham seus próprios jardins privados. Moshe usou como base para o projeto a cidade de Nova York, mas China e Singapura já estão construindo esses inovadores edifícios. Será que eles chegam ao Brasil?

Assista aqui ao vídeo da palestra de Moshe Safdie:

 

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