Tradição e modernidade no Japão

Arte, arquitetura, história, tradição e mundo digital se mesclam como em um tecido bem tramado na obra da artista polonesa Maria Umievskaya. Em sua arte digital, ela transforma desenhos tradicionais japoneses em ilustrações para fachadas de casas de arquitetura moderna. Sabe aqueles símbolos e motivos tipicamente japoneses, como as lutas, os trajes e as flores locais? Então, Maria os recria para decorar a superfície de fachadas de construções contemporâneas.

“A Ásia tem me inspirado há muito tempo. Sua cultura antiga e visual moderno estão sempre presentes no meu trabalho. Mas em minhas pesquisas me deparava com algumas peças que não se encaixavam na minha obra. Resolvi, então, reunir esses desenhos para criar um projeto independente”, explica Maria. O resultado é uma (belíssima) intervenção urbana criada nos computadores de seu estúdio, em Kiev, capital da Polônia.

Cube Court House, projeto do escritório Shinichi Ogawa & Associates

Cube Court House, projeto do escritório Shinichi Ogawa & Associates

Ilustração de Maria na fachada de uma casa projetada por Uwe Schroeder Architekt

Ilustração de Maria na fachada de uma casa projetada por Uwe Schroeder Architekt

Ilustração em casa na cidade de Gokurakuji, do Kawabe Naoya Architects

Ilustração em casa na cidade de Gokurakuji, do Kawabe Naoya Architects

Ilustração em casa projetada pelo Atelier Nuno Lacerda Lopes

Ilustração em casa projetada pelo Atelier Nuno Lacerda Lopes

Ilustração na Casa NN, projeto de Kozo Yamamoto

Ilustração na Casa NN, projeto de Kozo Yamamoto

Obra da artista na House K, do escritório Hiroyuki Shinozaki Architects

Obra da artista na House K, do escritório Hiroyuki Shinozaki Architects

 

 

 

 

 

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10 inteligentes intervenções urbanas

Estruturas antigas, inacabadas ou inutilizadas são problemas incontornáveis para grandes cidades, certo? Errado! Em uma exposição que aconteceu no fim do ano passado no Centro de Arquitetura Dinamarquesa, o estrategista urbano Scott Burnham fez uma compilação de intervenções urbanas realizadas em diversas cidades do mundo, com o objetivo de incentivar o aproveitamento e o reuso de estruturas inutilizadas e, com isso, trazer nova qualidade de vida aos seus cidadãos. Reunimos as dez ideias mais bacanas aqui. Confira:

1. A1 Charging Stations

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Em 2010, a empresa Telekom Áustria analisou a proporção de pessoas que utilizam as 13.500 cabines telefônicas de Viena e o fato de que em 2020 estima-se que haverá 450 mil meios de transporte elétricos na cidade. O resultado? As cabines se transformaram em pontos de recarga para meios de transporte elétricos.

2. The Cascade

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As escadas do arranha-céu The Centrium, em Hong Kong, deixaram de ser um lugar de passagem graças a uma intervenção do Edge Design Institute. Ele criou no local uma escultura que se tornou um lugar de descanso e interação para os cidadãos.

3. City Tickets

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Aproveitando as estruturas dos parquímetros da cidade de Boston, o designer Mayo Niessen deu mais funções a este tipo de estrutura, desenvolvendo nelas plataformas online, onde os cidadãos podem denunciar problemas da cidade, como um semáforo que não esteja funcionando.

4. QR Chiado

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A história do urbanismo de Lisboa passa pelas suas ruas de paralelepípedos. De olho nisso, a empresa MSTF Partners valorizou este lado histórico da capital portuguesa, mas colocou sobre os paralelepípedos os modernos códigos QR. Sua leitura por plataformas móveis conduz à história dos lugares em que estes códigos se encontram.

 5. Looking for a Landscap

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Sabe aquelas caixas metálicas que se encontram nas esquinas dos grandes centros urbanos? Então, elas, que servem para controlar semáforos, energia e telefonia, ganharam nova vida nas mãos do artista Matthew Mazzotta. Ele criou a intervenção “Looking for a Landscap”, que as transforma em um lugar de descanso graças à instalação de assentos em algumas destas caixas em Cambridge. Ele também dispôs binóculos, como uma maneira de incentivar as pessoas a  observarem o cotidiano.

6. Light Therapy

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A 300 quilômetros ao norte de Estocolmo (Suécia), está a cidade Umeå, que durante os invernos recebe muito pouca luz natural. Pois a empresa local Umeå Energi instalou luzes terapêuticas nas paradas de ônibus para que seus usuários não percam os benefícios do sol ao longo do ano. Depois que as luzes foram instaladas, o uso dos ônibus públicos da cidade duplicou.

7. iPavements

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A necessidade das pessoas de estarem conectadas o tempo inteiro tem levado as cidades e as empresas de tecnologia a explorar novas maneiras para que isto ocorra nos espaços públicos. Com esta ideia, surgiu o iPavements, um produto desenvolvido pela empresa espanhola Via Inteligente, que incorpora Wi-Fi e Bluetooth na pavimentação das ruas.

8. Smart Screens

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Muita coisa acontece o tempo todo em Nova York e pouca gente ainda usa cabines telefônicas. Juntando esses dois conceitos a companhia City24/7 instalou nestes locais telas táteis onde é possível conferir, por exemplo, números de emergência, assistência turística e informações sobre o sistema de bicicletas públicas.

9. UTEC Water Billboard

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Seria a solução para a seca de algumas regiões. Desenvolvida pela Universidade de Engenharia e Tecnologia do Peru, esta intervenção faz com que um outdoor publicitário  capture a umidade disponível no ambiente e a converta em água. O primeiro outdoor foi instalado no quilômetro 89,5 da via Panamericana Sul, da cidade de Lima, um lugar onde a umidade alcança 98%.

10. Lampbrella

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Muitas cidades “inteligentes” têm instalado sensores para monitorar a qualidade do ar, o tráfego e a segurança. Para o projetista Mikhail Belvaey, nestas intervenções os pedestres costumam ficar um pouco de lado. Por isso, ele criou um protótipo bastante simples que consiste em instalar guarda-chuvas nos postes de luz, fazendo com que estes sejam aproveitados por quem circula a pé pelas ruas.

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A beleza contra a dor

Seis anos de planejamento, três anos para a construção e US$ 1,2 bilhão de investimento. Tudo isto foi necessário para erguer o hospital infantil Lady Cilento, em Brisbane, Austrália.

O projeto, assinado pelos escritórios Lyons e Conrad Gargett, busca imitar uma árvore, com fachada reproduzindo troncos e galhos e decoração interna inspirada na vida selvagem.

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Os arquitetos evitaram o modelo convencional de torres e construíram os 12 andares com dois átrios generosos e espaços com pé-direito duplo, além de vários terraços ao longo do edifício.

“Nosso trabalho começou com pesquisas sobre a genealogia e a tipologia dos hospitais contemporâneos”, explicou o arquiteto Lyons. “Este projeto foi uma oportunidade de contestar paradigmas, repensar o modelo de saúde que temos e a forma como um edifício pode contribuir com uma cidade como um marco cívico”, completou.

Hospital 2

Os dois átrios funcionam como troncos de árvores e ajudam os visitantes e a equipe do hospital a se encontrarem na estrutura. Eles se conectam com diferentes departamentos, que seriam os galhos da árvore e avançam pela fachada, formando sacadas. O exterior envidraçado em roxo e verde protege da luz solar direta.

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No interior, a mesma paleta de cores com imagens e esculturas de papagaios, borboletas, besouros e outros insetos. A ideia de Lyons é distrair os jovens pacientes com esta temática. No teto da construção, pátios e jardins, para oferecer um espaço recreativo às crianças, parte fundamental de muitos tratamentos.

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Você sabe o que é BRT?

O conceito é simples: os BRTs (Bus Rapid Transit) operam como metrôs sobre rodas. A cidade destina faixas exclusivas e expressas para ônibus – normalmente duplas ou triplas -, que são separadas fisicamente nas vias por barreiras. Em alguns sistemas, os passageiros pagam antes de entrar e o embarque é feito na altura da plataforma para agilizar o acesso, exatamente como um metrô ou trem.

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Mas então qual é sua vantagem sobre os trens? É que os BRTs são cerca de dez vezes mais baratos que os metrôs. A solução é tão boa que nos últimos dez anos, a implementação de sistemas BRT no mundo cresceu 383%. Foram 1.850 quilômetros de um total de 2.580, de acordo com um estudo divulgado esta semana pelo Institute for Transportation and Development Policy.

Os centros urbanos do Brasil (345 km de linhas para BRTs), China (552 km) e México (234 km), respondem por 65% desse crescimento, aponta a pesquisa realizada em 62 cidades. Mas países como França (68 km) e África do Sul (70 km) também despontam entre os que apostaram neste conceito de transporte público. Curiosidade: ele foi criado na década 1970 em Curitiba pelo urbanista Jaime Lerner, então prefeito da cidade.

Segundo o engenheiro e urbanista mexicano Ulises Navarro, o crescimento da infraestrutura de BRT é exponencial devido à velocidade das obras. “É possível implantar um sistema BRT, do planejamento à execução, em dois anos. Uma linha de metrô do mesmo tamanho, por sua vez, pode demorar de seis até dez anos”, esclarece.

BRT 1

No Brasil, a Copa do Mundo e a proximidade da Olimpíada de 2016 foram responsáveis pelo ‘boom’ de crescimento dos BRTs. Estão entre as pesquisadas pela entidade, a linha Cristiano Machado (6,7 km), de Belo Horizonte, e as cariocas Transoeste (54,7 km) e Transcarioca (39 km). “Poderia ser mais, mas no Brasil há uma preocupação de que cada projeto não tire espaço dos carros particulares nas vias, um problema que tem dificultado a evolução das faixas exclusivas na cidade de São Paulo, por exemplo. Isso traz um efeito negativo também em termos de custos, pois se constrói menos quilômetros por dólares investidos por conta de desapropriações e indenizações na ampliação de avenidas e ruas”, explica.

Mais do que a carga tributária e a corrupção nas esferas públicas, essa questão de planejamento para os BRTs no Brasil também se reflete no custo-benefício citado por Navarro. Para cada R$ 1 bilhão de dólares investidos em BRT nas cidades brasileiras se constrói 99 quilômetros de malha. Em comparação, pelo mesmo valor, se obtém 334 quilômetros na China e 152 quilômetros no México.

Todavia, a  linha mineira Cristiano Machado e a Transcarioca são apontadas como os melhores sistemas do mundo hoje. Avaliadas em mais de 30 critérios, como extensão, planejamento, design das estações, comunicação com os usuários, além de integração com outros modais e acesso, essas malhas atingiram pontuações acima de 85 pontos possíveis de uma escala de 0 a 100. Nada mal para quem está apenas começando.

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As lições de uma casa de vidro

O lindíssimo site Remodelista contratou o fotógrafo Matthew Williams para fazer imagens igualmente belas da Casa de Vidro, projetada em 1949 pelo arquiteto Philip Johnson em Connecticut, Estados Unidos. A ideia – que a gente adorou – era mostrar as lições de minimalismo que se pode aprender nesta construção. Muitas delas são incrivelmente fáceis de replicar.

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Situada em um terreno de 49 acres, a Casa de Vidro foi a primeira de 14 estruturas que Johnson elevou neste conjunto de construções, que inclui uma galeria de arte subterrânea e uma casa compacta de um quarto. Johson passou mais de 50 anos vivendo e trabalhando na propriedade, até sua morte em 2005. Durante todo este tempo, ele cuidou de um paisagismo quase selvagem, alterando as árvores e plantas ao longo do tempo, para que a vista da casa com tantas janelas valesse tanto a pena. Afinal, em uma casa de vidro, a paisagem é tão importante quanto os móveis. Hoje, a propriedade pode ser visitada e por, US$30 mil você pode até dormir lá. Foi o que o pessoal do Remodelista fez. Vem ver as lições que eles aprenderam por lá:

1. Design atemporal realmente dura uma vida toda.

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Os móveis da sala de estar são desenhados por Ludwig Mies van der Rohe, que por sinal era amigo de Johnson. O arquiteto viu estes móveis no Pavilhão da Alemanha, na Expo Internacional de Barcelona de 1929, e os encomendou para seu apartamento em Nova York. Depois, é claro, os levou para a Casa de Vidro. Desde que os colocou no lugar, nunca mais mexeu em nada, nem nos cinzeiros. Note a posição dos assentos no estilo lounge, para facilitar uma boa conversa. Ah, alguns móveis, como a cadeira Barcelona, estão à venda em uma loja que funciona na casa e ajuda a mantê-la.

2. Existem várias formas de erguer uma parede.

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Como dividir um cubo de vidro em lugares para comer, relaxar e dormir? De várias formas. Com uma pintura ou um armário, por exemplo. O gabinete, que também serve como uma cabeceira, guarda cobertores e roupas de cama, louças e utensílios domésticos.

3. Exiba as obras de arte para que se confundam com a realidade.

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Esta pintura de Nicolas Poussin do século 17, The Burial of Phocion, foi comprada por recomendação de Alfred H. Barr, Jr., o primeiro diretor do MoMA. O quadro mostra uma paisagem que evoca uma cena pastoral como a vista das janelas. Apoiado sobre um engenhoso cavalete, ele fica disposto de modo que a base se confunde com a linha do horizonte.

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Johnson colocou a tela sobre um fundo e a elevou com uma moldura de metal, solução ideal para uma casa sem paredes para pendurar as coisas.

4. Incorpore áreas de “respiro”nos ambientes com mais design.

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O interior tem pouco mais de 157 metros quadrados e cada parte tem muito respiro. A área dos assentos tem vista para uma mesa de jantar desenhada pelo próprio Johnson e a escultura de papel machê Two Circus Women, de Elie Nadelman.

5. Aceite que as janelas podem ser cobertas.

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Apesar de a Casa de Vidro não ser visível da rua, Johnson acabou sucumbindo à ideia de colocar painéis deslizantes para bloquear o sol e prevenir que os ambientes fossem vistos de fora: estudantes de arquitetura de Yale, por exemplo, apareciam ali frequentemente para espiar. Os painéis tecidos de Johnson são da marca Conrad, especializada no assunto.

6. Cubra o que você não quer mostrar.

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Como fazer uma cozinha aberta, mas também funcional e protegida dos olhos curiosos? Johnson pensou em uma cozinha que parece aquelas de avião, compacta e bem funcional. E cuidou para que ela “desaparecesse”.

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Prateleiras de madeira de nogueira com pés de borracha se debruçam sobre a pia e o fogão, transformando o lugar em um bar e bufê.

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A pia em aço inoxidável, a geladeira GE, o forno e os armários de madeira são da marca Kitchens by Dean e ficam devidamente escondidos sob o balcão. Para dar uma unidade e uma cara industrial ao conjunto, Johnson pintou tudo de cinza.

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Para café e chá, a cozinha tem máquina da Chemex e louças do designer finlandês Kaj Franck. Assim como a casa, as louças têm formas quadrada, circular e retangular.

7. Tijolos criam pisos interessantes e duráveis. 

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Está na hora de redescobrir o tijolo em padrão de espinha de peixe para o piso: é mais resistente que madeira, conduz bem o calor e tem uma cara supercontemporânea.

8. Uma curva aqui e outra ali agradam os olhos.

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O único quarto totalmente fechado da casa é um cilindro de tijolos que serve como lareira.

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Do outro lado, o cilindro contém um banheiro, que fica logo depois do quarto. ”Você não tem uma linha reta no seu corpo, por que deveria ter linhas retas na arquitetura? Você ficará surpreso ao ver quão maravilhoso é um quarto que não tem linhas retas”, dizia Johnson.

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O banheiro tem uma porta curva.

9. Considere um armário só para remédios.

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Feito sobre um cenário de pastilhas de vidro italiano, o armário do banheiro tem o tamanho daqueles antigos móveis de farmácias e coberto com um espelho.

10. Aplique texturas em locais inesperados.

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Johnson adorava experimentar com materiais, tanto que até já aplicou telhas revestidas de couro no teto de um banheiro que projetou. Não é prático por causa da humidade, tanto que Johnson quase não tomava banho neste banheiro, mas é inovador.

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O box é Redondo e a cortina fica sobre uma estrutura metálica.

11. Um quarto não precisa de muito mais que uma cama.

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Uma mesa de 1927 desenhada por Mies van der Rohe, de vidro e tubos de aço, fica perto de uma cama coberta com uma colcha de algodão que Johnson trouxe de uma viagem para a Grécia. Simples assim, com todo o resto, incluindo os travesseiros, guardado nos armários. As janelas têm o tamanho dos maiores painéis de vidro disponíveis na época. A vista é panorâmica. Levantar-se diante de uma tempestade de neve é um desafio.

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Os armários têm simples puxadores de bronze.

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As janelas têm moldura de aço e fecho de bronze.

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Quando há hóspedes, a roupa de cama é Rough Linen.

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O edredon também é Rough Linen, os travesseiros, Simple Pillow Slips e o lençol branco é de linho.

12. Faça iluminação em camadas.

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Cada canto da casa tem essas luminárias. Johnson contratou o lighting designer Richard Kelly para minimizar o brilho e poupá-lo de ter que olhar para o seu próprio reflexo após o anoitecer. Kelly respondeu criando um sistema sutil de luzes internas voltadas para cima e externas, para baixo.

13. Plantas são boas companhias.

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Cactos podem trazer o exterior para o interior da casa e são acolhedores. Ficam perto de uma cadeira de aço tubular de Mies van der Rohe e de uma mesa com superfície de couro.

14. Empreste dos outros.

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Johnson emprestou claramente ideias de uma casa de vidro de Mies van der Rohe e se inspirou em outros elementos, de um antiquário à Bauhaus, passando pela aversão de Frank Gehry a ângulos retos. Afinal, como dizia Mies: “Eu não quero ser original. Quero ser bom”.

*Fotos: Matthew Williams

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