O universo de Alberto Ferreira

“O rei se curva ante a dor que o Brasil todo sentiu”. Com esta imagem do momento em que Pelé sofreu a contusão na Copa do Mundo de 1962, publicada no Jornal do Brasil, o fotógrafo Alberto Ferreira dava os primeiros sinais de uma carreira que lhe traria grande sucesso. Reconhecido mundialmente pela cobertura de eventos esportivos, ele passou parte das décadas de 50, 60 e 70 registrando detalhes dos locais por onde passou e estas imagens, de grande valor documental, fazem parte da mostra “O Olhar é o que Fica”, em cartaz em São Paulo.

Série Rio Antigo - Desmanche do Morro do Castelo

Série Rio Antigo – Desmanche do Morro do Castelo

Com curadoria de Diógenes Moura, a exposição é composta por 23 fotografias em preto e branco – das quais 20 nunca foram expostas – e retrata o Brasil desta época, com séries sobre o Carnaval, o Rio de Janeiro e cenas do cotidiano da cidade, além de autorretratos do artista.

Cenas corriqueiras do Rio, como um grupo de jovens trocando o pneu do carro, um homem arremessando um balde d’água em frente ao Morro do Castelo e garotas em traje de banho, além de autorretratos, como o que fez diante do Maracanã, fazem parte da exibição. Em resumo, um pequeno retrato do Brasil com uma bela estética, que vai além da documental. “Nesse jogo de espelhos nunca abstrato, o fotógrafo lê a cidade como a página de um livro aberto”, conclui o curador Diógenes Moura.

Série Avulsa - Cabelos e Ondas

Série Avulsa – Cabelos e Ondas

Serviço:

Exposição “O Olhar é o que Fica”, de Alberto Ferreira

Local: Galeria Lume – Rua Gumercindo Saraiva, 54 – São Paulo

Data: Até 27 de março de 2015

Horário: De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. Aos sábados, das 11h às 17h.

Fone: 11 4883-0351

galerialume.com

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A obra hipnótica de Anish Kapoor

O artista indiano Anish Kapoor é um provocador. Em suas obras monumentais, ele trabalha formas e materiais de maneira a provocar vertigem no espectador e pôr em xeque suas noções de tempo e espaço. Sua instalação “Descension”, criada para a Kochi-Muziris Biennale, mais importante bienal da Índia, não é diferente.

Trata-se de um redemoinho de água escura que fica girando sem parar em uma espécie de poço, instalado dentro de uma das salas da exposição. Protegidas por grades, as pessoas podem observar esse eterno – e rápido – movimento. A vontade é mesmo cair ali dentro. E não é por acaso. “Descension” discute justamente os limites entre o espectador e o objeto.

Para Kapoor, “o vazio é, verdadeiramente, um estado interior. Tem muito a ver com o medo, entendido em termos edípicos, e mais ainda com a escuridão. Não há nada tão escuro quanto a treva interior”. Um discurso hipnotizante, como sua obra.

Clique aqui para ver “Descension” em movimento.

Anish Kapoor 2

Anish Kapoor 3

Anish Kapoor

Anish Kapoor 4

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Chá das 5

Velas, pétalas de flores, café, sementes de girassol, frutas. Tudo vira arte nas mãos da artista malaia Red Hong Yi. E a ideia de trabalhar com materiais alternativos não veio por acaso. Seus pais viveram na China durante a revolução cultural dos anos 60. Red passou a infância na Malásia ouvindo histórias desta época e desejando voltar ao país de origem de sua família. Quando chegou a Shangai, se encantou com a cidade. “Seu charme e seu caos me inspiraram a começar a criar arte usando materiais do dia a dia dos chineses”, conta ela, que já criou instalações artísticas para marcas como Unilever, Nespresso e Hewlett-Packard.

Em sua mais recente obra, “teh tarik man”, a artista aproveitou 20 mil sachês de chá usados. Eles assumem colorações diferentes de acordo com o tempo que passaram dentro da água, então, ela os “manchou” um a um para obter uma paleta de dez tons. Para conseguir os mais escuros, utilizou também corante alimentar.

A execução da projeto demorou dois meses e o bacana é ver que, de perto, a ela mostra os detalhes do material, mas, de longe, forma uma imagem grandiosa. O “teh tarik”, que dá nome à obra, é uma bebida malaia doce à base de chá e leite: exatamente a que está sendo preparada na imagem ilustrada pela instalação.

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Uma ode ao trabalho artesanal

Transgressão - convite

Aproximadamente 120 artesãos, que integram cinco organizações coletivas situadas no sertão de Alagoas e de Sergipe, criaram à mão peças ideais para a casa contemporânea: são fáceis de cuidar, versáteis e ao mesmo tempo, arrojadas e elaboradas. E são estas peças que compõem a mostra “Transgressão” em cartaz na A CASA, em São Paulo.

Os produtos são elaborados a partir da parceria entre essas comunidades artesanais – que dominam técnicas centenárias de bordados, rendas e tecelagem – e os designers Aldi Fiosi, Izildinha Carderari, Adriana Fortunato, Kelly Oliveira, Beatriz Martinez e Adriana Fernandes.

“Transgressão” é a segunda coleção do projeto “Fusões e Inserções”. Nessa coleção o desafio foi transgredir a forma, a função e as matérias-primas utilizadas, inovando na proposição de diferentes usos, composições, técnicas e tecnologias.

“Fusões e Inserções” é um projeto de tecnologia social, concebido e implantado pelo Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação em parceria com o SEBRAE e o Governo do Estado de Sergipe. O objetivo é consolidar uma metodologia de inovação para o setor do artesanato a partir não só do design, mas do aprimoramento técnico e do acesso às tecnologias.

Segundo Renata Piazzalunga, diretora técnica do projeto e curadora da exposição, “para manter a produção artesanal brasileira viva, é necessário, além de um olhar alinhado e atento para o mundo contemporâneo, criar condições reais para os artesãos terem acesso a processos de inovação. Essa é a transgressão mais relevante que trazemos nessa exposição”.

Linha Mandacaru

Linha Mandacaru

Linha Mandacaru

Linha Mandacaru

Algodão da Associação da Cultura Artesanal de Poço Verde

Algodão da Associação da Cultura Artesanal de Poço Verde

Serviço:

Exposição “Transgressão”

Local: A CASA – Av. Pedroso de Morais, 1216 – São Paulo

Data: De 25 de fevereiro a 22 de março de 2015

Horário: De terça a domingo, das 11h às 19h

Fone: 11 3814-9711

acasa.org.br (http://www.acasa.org.br)

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Um doce tapete para a China

Tudo na China é grandioso. Com quase 1,5 bilhão de habitantes, tem uma muralha com 21.196 quilômetros de extensão e por aí vai. Por isso, nada mais natural que um tapete de 1.300 metros quadrados tenha sido a ideia da dupla Craig & Karl, do estúdio criativo All Rights Reserved, para criar uma enorme instalação nas ruas de Chengdu. E mais: eles usaram 13 toneladas de balas coloridas ao compor esse patchwork, digamos, muito doce.

A obra, chamada “Sweet as One”, contou, durante cinco dias, com a colaboração de 2.000 voluntários para ser executada. Eles preencheram uma grade de ferro criada pelos artistas com eles pedacinhos saborosos de cor. A temática é repleta de símbolos da cultura do país, como flores e pandas, e celebra o Ano Novo chinês, que este ano será oficialmente celebrado no dia 19 de fevereiro.

E para onde foram as balas usadas na obra ao final da exibição? Para crianças carentes de áreas rurais. Isto porque um dos objetivos de Craig & Karl é chamar a atenção para a causa.

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