Labirinto sustentável

Labirinto 2

Na Polônia, a reciclagem de plástico é lei. E este mês, durante o Festival de Arte Urbana de Katowice, algumas iniciativas lembram a importância disto. É o caso da instalação do coletivo espanhol Luzinterruptus, que forma uma espécie de labirinto com mais de 6.000 garrafas de plástico. O objetivo é lembrar as pessoas da grande quantidade de plástico consumida diariamente e que poderia ser reutilizada.

A grande maioria das garrafas utilizadas no labirinto foram doadas por uma empresa que as fabrica e é responsável pelo engarrafamento de diversos produtos, e foram doadas justamente por não cumprir com os padrões de qualidade para serem comercializadas.

Labirinto 1

O restante das garrafas foram doadas por cidadãos, que ajudaram a montar a estrutura plástica durante os quatro dias de montagem da instalação. Esse processo de montagem consistiu na amarração da estrutura metálica que dá suporte às sacolas plásticas onde foram colocadas as garrafas.

As garrafas, por sua vez, contam lâmpadas de LED autônomas que tornam possível a visitação da estrutura à noite – e não apenas durante o dia – atingindo, assim, um público ainda mais amplo.

Labirinto 3

Após duas semanas com o labirinto em exposição frente à escultura do Soldado Polonês, o coletivo concluiu que “nesta cidade se bebe água engarrafada em quantidades alarmantes”.

Quando a estrutura de 7 x 5 metros e 3,40 de altura foi desmontada, todas as garrafas e sacolas plásticas foram recicladas, cumprindo, assim, com as leis de reciclagem polonesas.

Faça aqui um percurso pelo labirinto.

Labirinto 4

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Arte que emociona

Muro 1

No último dia 9 de novembro, foram comemorados os 25 anos da queda do muro de Berlim. Para celebrar a data e nunca esquecer o passado, os alemães – e o mundo, graças à TV e à internet – puderam vê-lo reconstruído de uma forma poética. Era a instalação Lichtgrenze, dos artistas Christopher e Marc Bauder.

Muro 2

Os artistas quiseram criar algo que tivesse um poder emocional e visual que evocasse a dimensão e a brutalidade do muro. Criaram, então, uma fileira com oito mil balões luminosos, que formaram uma espécie de “barreira luminosa” com 15 quilômetros de comprimento durante dois dias. Ela foi disposta exatamente sobre o local onde se encontrava o muro: dividindo a parte interna de Berlim da rua Bornholmer até o Mauerpark. No dia 9 de novembro, os balões foram soltos em um a cerimônia oficial e a cena foi assistida por cidadãos emocionados, não só pela beleza do momento, mas também pelas memórias daqueles tempos difíceis.

Muro 3

Clique aqui e veja um vídeo que mostra, por diferentes ângulos, a cidade dividida por esta bela instalação.

Muro 4

Muro 5

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Uma trendsetter transgressora

“Eu quero ser uma obra de arte viva!”, era o que dizia Luisa Casati Stampa, e suas palavras parecem ter se concretizado no tempo. Ao menos, é o que ficou claro após a visita deliciosa que fiz à mostra “La Divina Marchesa – Arte e vita di Luisa Casati dalla Belle Époque agli Anni folli”. Divina Marquesa, aliás, foi a definição dada por seu famoso amante, o lendário dandy italiano Gabrielle D’Annunzio. Os escândalos de Madonna na década de 80 ou os atuais de Lady Gaga e Miley Cyrus não são nada se os compararmos com a vida polêmica da Marquesa Luisa Casati, no inicio do século passado!

Batizada como Luisa Amman, foi uma aristocrata de Milão que nasceu milionária em 1881 e, como quase toda história que envolve fama e transgressão, morreu pobre em 1957. Desde muito cedo ela quis tornar-se um mix de Sarah Bernhardt e Luís II da Baviera: era alta e um pouco anoréxica, mas tinha traços fortes, que destacava com olhos incandescentes, devido às pupilas dilatadas pela tintura de beladona. Usava cabelos ruivos em um penteado selvagem, e o conjunto provocava um grande frisson por onde passava. Foi a primeira mulher da época moderna a destacar seus olhos com kohl, e que tingiu os cabelos para parecer que vestia uma coroa de chamas. Contextualizem isso em 1900 e, voilà, imaginem o escândalo!

Quadro A Marquesa Casati, de Augustus John (1919)

Quadro A Marquesa Casati, de Augustus John (1919)

Diante de seu fascínio e de seus favores como mecenas – era a mulher mais rica da Itália naquele momento – pintores, escultores, artistas e fotógrafos a imortalizaram, não sem antes cair de amores pela imagem desta “sacerdotisa moderna”. Foram os casos de Alberto Martini, Augustus Edwin John, Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Kes van Dongen, o barão Adolph de Meyer, Cecil Beaton, Jacob Epstein, Man Ray e dizem, Tamara de Lempicka. Enfim, foi a verdadeira musa dos surrealistas, fauvistas, dadaístas e futuristas.

Coincidentemente. ela adorava viver no Palazzo Venier dei Leoni, que atualmente é o Museo Peggy Guggenheim (ela também uma grande admiradora de Luisa) e, à sua época, instalou ali um exotismo feito de flora e fauna raríssimas, tais como o leopardo com o qual passeava de noite pelas ruas de Veneza ou uma serpente enorme que enrolava no pescoço para lembrar um colar natural. Tudo rigorosamente enquadrado por um manteaux em veludo ou seda transparente, com nenhuma lingerie à vista, óbvio.

 Luisa Casati, de Roberto Montenegro (1914)

Luisa Casati, de Roberto Montenegro (1914)

Luisa vestida com a fantasia Queen of the Night, em 1922

Luisa vestida com a fantasia Queen of the Night, em 1922

Na época de seu máximo esplendor foram criadas joias personalizadas que a transformaram em musa inspiradora também da joalheria de luxo: o símbolo da maison Cartier, uma pantera, é também uma homenagem direta ao amor da marquesa por estes animais.

Ela adorava o carnaval veneziano, do qual participava sempre usando as mais bizarras fantasias, auxiliada por Leon Bakst, figurinista da magnífica companhia Ballets Russes, super em voga na época (lembremos que Coco Chanel também foi amiga dele). Seu primeiro famoso baile vestida por Bakst fez um grande sucesso, tanto, que quando Paul Poiret soube, imediatamente se convidou para a histórica festa parisiense com tema indo-persa, e o resto é história. É de Poiret, inclusive, a fantasia “Fonte”.

O que dizer também da longa túnica do espetáculo “Le Dieu Bleu”, que vestiu com saltos altos para ficar com 2 metros de altura? Vestindo o look, ela foi retratada junto ao mestre Mariano Fortuny (cujas célebres túnicas plissé “delphos” encontraram sucesso no mesmo ano), para quem abriu as portas ao mundo luxuoso da aristocracia de Paris.

Luisa com a fantasia Fonte, criada por Poiret, nos anos 20

Luisa com a fantasia Fonte, criada por Poiret, nos anos 20

Paul-Cèsar Helleu, G. Boldini e Luisa Casati vestindo fantasia indo-persa no jardim do Palazzo de Leoni, em 1913

Paul-Cèsar Helleu, G. Boldini e Luisa Casati vestindo fantasia indo-persa no jardim do Palazzo de Leoni, em 1913

Ah, esta marquesa! Não foi somente bizarra e excessiva (quem acha hoje o nude look ou o couro de píton inadequados, pode agradecê-la), espetacular e transformista, megalômana e narcisista. Foi também uma grande colecionista e antecipou com suas performances a dimensão estética do que hoje chamamos body art. Por isso também dilapidou a sua fortuna, morrendo em Londres em 1957 na mais absoluta indigência. Conta a crônica da época que para pagar o taxi ao funeral, sua filha deu o último anel de diamante que Luisa possuía. Mas é uma “alma” que o tempo felizmente não apagou, que o mundo criativo sempre admirou e com quem teceu relações. Como vi na mostra, ela continua a inspirar de artistas, estilistas e designers, como Tilda Swinton pela lente de Peter Lindbergh e Paolo Roversi, a artistas contemporâneos como Ane-Karin Furunes, Filippo di Sambuy, Marco Agostineli e Francesco Vezoli, que inclusive realizaram obras inéditas para esta ocasião.

Coleção verão 2007 de McQueen influenciada por Luisa

Coleção verão 2007 de McQueen influenciada por Luisa

Coleção verão 2007 de McQue

Coleção verão 2007 de McQueen

Recentemente, a marquesa influenciou memoráveis criações de moda: de John Galiano para Dior na coleção Primavera/Verão de 1998 (peças hoje expostas no Costume Institute do Metropolitan Museum of Art), a Karl Lagerfeld para Chanel na coleçãone Cruise apresentada em Veneza em 2010 e, claro, a Alexander McQueen, que lhe dedicou a sua coleção Primavera/Verão 2007.

Luisa vestida como a Rainha Elisabeth, em 1935

Luisa vestida como a Rainha Elisabeth, em 1935

Luisa com sua cobra no baile Beaumont, Paris, anos 20

Luisa com sua cobra no baile Beaumont, Paris, anos 20

O dandy Gabrielle D’Annunzio a chamava Corè, ou melhor Kore, um dos nomes de Perséfone, mas também uma tipologia feminina de estátua característica da arte grega clássica, de sorriso enigmático e atemporal. Não encontro um elemento mais perfeito para unir coisas tão diversas, mas tão complementares, como foi esta mulher-anjo-demônio-visionária.

Amante de personagens singulares, que fazia questão de interpretar, antecipou em décadas a liberação feminista, sendo tanto Rainha da Noite como Cesare Borgia, mas também um doce Arlequim na famosa noite do Ballo Longhi. Para realizar este baile, aliás, ela obteve – através de meios ilícitos – o espaço da Piazza San Marco, para uma noite dedicada ao tango, que era um baile proibido na Itália, por ordem papal.

A igreja, é claro, não a via com bons olhos, visto que ela se dedicava ao ocultismo, sendo amante das magias, amiga e confidente do “mago” da época, Aleister Crowley (o famoso inventor do Thoth Tarot que è muito futurista!), que frequentava com o conde Robert de Montesquiou. Foi dele que Luisa adquiriu o Palais Rose, em Paris, que rebatizou de Palais du Rêve, onde organizou o seu último baile vestida como o esotérico e alquimista conde de Cagliostro.

Foi uma mulher “explosiva” que estava anos-luz à frente do seu tempo e que pagou um preço bem caro por expressar sua liberdade. Mas que, pelo que parece, também aproveitou cada segundo do divertimento que obtinha através do choque cultural que causava. Como bem retratou seu confidente Jean Cocteau: “Ela soube criar um ‘eu’ ao extremo. Não se tratava de gostar ou não gostar. Ela queria chocar.”

Para saber mais:

- Na Literatura: Jack Kerouac dedicou-lhe “The 74th Chorus”, em 1910. Leia também o romance de Gabrielle d’Annunzio “Forse che sì forse che no”, que a coloca como protagonista. Recentemente, saiu também a biografia “Infinite Variety,” de Scot D. Ryersson e Michael Orlando Yaccarino.

- No Cinema: Vivien Leigh a representou em “Ship of Fools”, aqui conhecido como “A Nau dos insensatos”, de 1965. Veja o trailer aqui ( https://www.youtube.com/watch?v=AaViXh361Fc). Ingrid Bergman a representou em “A Matter of Time” (Questão de Tempo), de 1976, que contou também com Liza Minnelli.

Veja abaixo outros momentos da exposição:

Retrato da Marquesa

Retrato da Marquesa

Vestido da Dior inspirado nela

Vestido da Dior inspirado nela

Obra A Marquesa Luisa Casati, de Joseph Paget-Fredericks, anos 1940

Obra A Marquesa Luisa Casati, de Joseph Paget-Fredericks, anos 1940

Quadro A Marquesa Luisa Casati com penas de pavão, de  Boldini (1914)

Quadro A Marquesa Luisa Casati com penas de pavão, de Boldini (1914)

Quadro La vasque fleurie, de Van Dongen (1917)

Quadro La vasque fleurie, de Van Dongen (1917)

Obra Luisa Casati, de Alberto Martini (1906)

Obra Luisa Casati, de Alberto Martini (1906)

Aqui, a marquesa pintada por Federico Armando Beltran-Masses (1920)

Aqui, a marquesa pintada por Federico Armando Beltran-Masses (1920)

Retratada por Romaine Brooks (1920)

Retratada por Romaine Brooks (1920)

Luisa com um vestido de Cesare Borgia, em 1925

Luisa com um vestido de Cesare Borgia, em 1925

 

 

 

 

 

 

 

 

*Fotos: Mariano Fortuny, Man Ray e Fah Maioli

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Um tênis feito de… flores?

O apelido do artista francês Christophe Guinet é Mr. Plant e por uma simples razão: ele cria filmes, instalações e até peças de roupa com matérias-primas inusitadas, como folhas, pedras, árvores e flores. Sua mais nova invenção é a linha “Just Grow It”, em que parte de um tênis Nike SB para desenvolver esculturas vivas hiper-realistas.

São quatro modelos: “seed”, com sementes e pequenas plantas, “grasshopper”, com pedacinhos de vegetais e pequenas flores, “rock” com pedras e terra e “flower power” com botões de flores amarelas. Munido de tesoura, cola e paciência, ele desenvolveu as peças para chamar a atenção para a importância de redescobrirmos as belezas da natureza.

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Estas esculturas são também uma forma de o artista unir suas duas paixões de adolescência: as flores e a cultura urbana, principalmente o universo do skate. “Volte à fonte. O homem se nutre espiritual e artisticamente pela natureza”, resume.

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O concreto do futuro

Construção 1

Parece um cenário de filme de ficção científica, mas não é. Um grupo de alunos da faculdade londrina de arquitetura Bartlett desenvolveu uma técnica experimental para criar componentes de construção. Eles revestiram bastões de madeira com tecidos elásticos para criar moldes que seriam usados para dar formas diferentes ao concreto. Para este projeto, chamado “Augmented Skin”, os estudantes Kazushi Miyamoto, Youngseok Doo e Theodora Maria Moudatsou receberam orientação dos professores Daniel Widrig, Stefan Bassing e Soomeen Hahm.

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A ideia futurista era explorar a noção de auto-produção em tempos de design computacional. Um software de simulação foi usado para estudar as formas dos bastões, para aperfeiçoar o formato e a força estrutural dos moldes. Graças a esta base revestida de tecido flexível, é possível moldar colunas, telhados e paredes, todos com aplicações arquitetônicas. “As formas e os espaços vazios podem se tornar extremamente complexos e emendar uns nos outros. Alterando o tamanho e a densidade do concreto, podemos controlar até mesmo os detalhes da estrutura”, explica Kazushi Miyamoto.

Construção 3

Em setembro, em uma mostra universitária, os estudantes expuseram uma cadeira e um arco usando esta técnica para mostrar que, sim, ela já pode ser aplicada na “vida real”. “A técnica oferece muitas possibilidades de design, principalmente para móveis. Também acreditamos que o processo pode ser desenvolvido para usar em escala arquitetônica, desde que se falam mais testes de mock-up e pesquisas”, conclui Miyamoto.

Cópia de Augmented-Skin-by-Miyamoto-Kazushi_

Construção 4

Construção 6

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