Do tempo da delicadeza

Um dos maiores artistas que o país já viu, Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Era filho de imigrantes italianos, colecionou prêmios no exterior e se imortalizou retratando a cultura brasileira – e contando nossa história – em painéis e quadros que estão espalhados pelo mundo.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 1

O que pouca gente sabe é que ele criou um cômodo reproduzindo uma capela para sua avó, quando esta estava com idade avançada e pouca saúde e não podia se locomover até a igreja da cidade. A obra apresenta os santos de devoção da “Nonna”, retratados com a fisionomia de familiares e amigos de Portinari, uma tradição presente na pintura do século XV, principalmente entre artistas flamengos e italianos.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 2

Agora, o Museu de Arte Sacra de São Paulo em parceria com o Museu Casa de Portinari, exibe “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”, uma réplica em tamanho real do cômodo que o artista dedicou à avó.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 4

Por meio de painéis e recursos cênicos, o espaço original foi recriado com as mesmas pinturas feitas pelo artista: “São Francisco de Assis”, “Santa Luzia”, “São Pedro”, “São João Batista” e a “Sagrada Família”, entre outras. O cenário escolhido não podia ser melhor: o Museu de Arte Sacra de São Paulo fica na ala esquerda térrea do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. Sua edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, tombado, inclusive, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Serviço:

Exposição “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”

Local: Museu de Arte Sacra – Avenida Tiradentes, 676 – São Paulo

Data: De 8 de outubro a 15 de dezembro de 2014.

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábados e domingos, das 10h às 18h

Fone: 11 3326-3336

Ingresso: R$ 6,00. Grátis aos sábados

museuartesacra.org.br

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Exposição “Todos à Mesa” e a beleza do cotidiano

Obra da série Cozinha e Cia das Índias Versus Quarker

Obra da série Cozinha e Cia das Índias Versus Quarker

Aquele chamado que todas as mães costumam fazer para reunir a família em torno da mesa para fazer uma refeição unida foi a inspiração do artista carioca Bruno Miguel para esta mostra. Em “Todos à mesa”, em cartaz até o dia 13 de novembro na galeria Emma Thomas, Bruno expande sua pesquisa acerca da pintura e avança em sua exploração formal e conceitual através de seu uso inovador de materiais e técnicas não-tradicionais, incluindo resina, madeira, pratos, xícaras, travessas e copos de uma vasta coleção adquirida em lojas de antiguidades e leilões.

O artista prossegue com sua abordagem não convencional da pintura e, com a curadoria de Monica Espinel, apresenta mais de trinta trabalhos de séries diferentes serão apresentados, incluindo “Índice para artistas viajantes”(2013), “A história é contada pelos vencedores”“Cozinha”, “Ceci n’est pas une peinture”“Cafezinho?” e “Sala de Jantar”, todos de 2014.

“Todos estes pratos e materiais que uso, compro em leilões de antiguidade, pois não estou usando só a materialidade do objeto, mas também sua história pregressa. Em um conjunto como o “Sala de jantar”, os  pratos podem ter vindo de até cinquenta famílias… Os objetos testemunham a vida das pessoas”, diz Bruno, que mescla em sua pesquisa elementos da alta e baixa cultura e utiliza-se de suas memórias para relacionar ambientes domésticos cotidianos a seu interesse pela cultura pop e midiática contemporânea

Serviço:

Mostra “Todos à Mesa”

Local: Galeria Emma Thomas – Rua Estados Unidos, 2205 – São Paulo

Data: De 11 de outubro a 13 de novembro de 2014

Horário: De terça à sexta-feira, das 11h às 19h; aos sábados das 11h às 17h

Entrada gratuita/ Livre

emmathomas.com.br

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31ª Bienal de Artes de São Paulo

Ouça abaixo a matéria que foi ao ar no rádio ou clique aqui para fazer o donwload:

 

Cartaz da Bienal

Se é verdade que a Bienal de Artes de São Paulo nunca teve medo de chocar, em sua 31ª edição este direcionamento fica ainda mais claro. Ao longo de sua história, sempre privilegiou a arte moderna, pois foi a escola que mostrou a produção brasileira para o mundo. Mas este ano, o evento está ainda mais cheio de novidades. Ou melhor, de “primeiras vezes”.

Colagem Zona de Tensão, de Hudinilson Jr.

Colagem Zona de Tensão, de Hudinilson Jr.

Com o tema “Como procurar coisas que não existem”, traz o andar térreo com um espaço livre, para convivência, com bancos e até parte do acervo da biblioteca da Bienal. É possível permanecer ali quanto tempo se quiser, sem precisar passar pelas catracas. Mas a própria concepção da mostra foi diferente. Em uma iniciativa inédita, cinco curadores estrangeiros foram convidados para fazer a seleção das peças: o escocês Charles Esche , os espanhóis Pablo Lafuente e Nuria Enguita Mayo,  os israelense Galit Eilat e Oren Sagiv. E isto deu o que falar.

O Mapa Teatro Os Não Contados, do Laboratório de Artistas

O Mapa Teatro Os Não Contados, do Laboratório de Artistas

Em um processo que demorou mais de um ano, eles viajaram o Brasil realizando encontros entre curadores, galeristas, artistas e público para entender como o país está se organizando culturalmente e como vemos a arte. A partir destes encontros, selecionaram artistas e propostas, muitas delas de residências artísticas de estrangeiros que estavam em São Paulo. O resultado? Mais polêmica: poucos foram os artistas selecionados que são representados por alguma galeria. Culturalmente, o brasileiro tende a achar que, por esta razão, não são bons o suficiente para um evento deste porte.

O vídeo Inferno, de Yael Bartana

O vídeo Inferno, de Yael Bartana

Mas a verdade é que praticamente todas as 250 obras impressionam, chocam e até causam repulsa. Sim, porque não espere encontrar uma arte bela. As temáticas predominantes são a sexualidade, a religião, os gêneros, as manifestações sociais e até o aborto. “Estamos mais potentes no discurso que na estética”, é o que dizem seus organizadores. Vá pronto para encontrar a Bienal mais underground da história dos eventos organizados no (sim) belo Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer em meio ao parque do Ibirapuera.

Parte da obra Casa de Caboclo, de Arthur Scovino

Parte da obra Casa de Caboclo, de Arthur Scovino

Serviço:

31ª Bienal das Artes de São Paulo

Local: Pavilhão da Bienal, no portão 3 do Parque do Ibirapuera, na Avenida Pedro Álvares Cabral, em São Paulo

Data: de 6 de setembro a 7 de dezembro de 2014

Horário: às terças, quintas, sextas, domingos e feriados, das 9:00 às 19:00. Às quartas e sábados, das 9:00 às 22:00

Entrada gratuita

31bienal.org.br 

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Mostra Memória Mutante

“Privilegiando o novo, esta lógica de reconstrução ininterrupta desafiou a permanência dos espaços públicos, conduzindo a um apagamento da paisagem e do pensamento arquitetônico vigente no passado”. A fala de Henrique Siqueira, curador da mostra “Memória Mutante”, exemplifica uma São Paulo que vem passando por constantes transformações há 154 anos.

A exposição fica em cartaz até o dia 1º de fevereiro na Oca, no Parque do Ibirapuera e reúne 210 fotografias pertencentes à Coleção de Fotografias Iconográficas do Museu da Cidade de São Paulo, propondo o encontro das imagens de Militão Augusto de Azevedo (1862) e Ivo Justino (1970), como forma de dimensionar a complexidade das camadas de memória urbana.

Autor desconhecido - Demolição do Belvedere Trianon (1957)

Autor desconhecido – Demolição do Belvedere Trianon (1957)

Siqueira destaca que, há pouco mais de 100 anos, São Paulo assistiu ao desaparecimento da antiga Igreja da Sé e de todo o quarteirão ao seu redor, operação que marcou o começo das grandes obras destinadas à edificação de uma cidade moderna e cosmopolita. Com isso, a cidade ganhou um novo panorama, mas apagou as paisagens do passado. E a importância da fotografia como registro histórico de toda esta transformação é fundamental.

O curador selecionou, então, fotografias pontuais de casos históricos que agitaram a identificação afetiva da cidade, como a demolição do Belvedere Trianon, o incêndio da Estação da Luz ou a construção do Hangar do Campo de Marte. A mostra também apresenta a documentação realizada pela Seção de Iconografia da Prefeitura sobre as habitações populares e ensaios que reproduzem o cotidiano nas indústrias de tecelagem.

De Benedito J Duarte, a Praça do Patriarca (1943)

De Benedito J Duarte, a Praça do Patriarca (1943)

Serviço: 

Exposição “Memória Mutante”

Local: OCA – Av. Pedro Álvares Cabral s/nº, Parque Ibirapuera, São Paulo

Data: De 10 de outubro de 2014 a 01 de fevereiro de 2015

Horário: De terça a domingo, das 9h às 17h

Entrada franca

Fone:11 5579-0151

museudacidade.sp.gov.br/oca

 

 

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Inaugura hoje o novo espaço-conceito da New Creators

New Creators

O espaço-conceito New Creators inaugura hoje já com uma exposição coletiva. A mostra “Movimento” traz fotografias, móveis de design, pinturas, esculturas, roupas e acessórios, e conta com obras de 14 artistas plásticos, quatro fotógrafos, seis designers de produto, cinco designers de acessórios e cinco estilistas.

Ao longo do dia, as paredes do espaço exibem pinturas, esculturas, fotografias e gravuras que, pelo ponto de vista da curadoria da mostra, representam a palavra movimento. Alguns designers participam da exposição com móveis que de certa forma tenham mobilidade em sua estrutura, ou que facilitem a vida do usuário no dia a dia. Designers de moda também apresentam suas peças que traduzem o tema com seus cortes e tecidos – e desenvolverão uma coleção cápsula exclusiva para a New Creators. O público poderá assistir também a uma performance do artista Felipe Vasconcelos e a uma sessão de live painting do projeto de arte urbana RevoluE.

 

Serviço:

Inauguração do espaço conceito New Creators e abertura da exposição “Movimento”

Local: Rua Lisboa, 281– São Paulo

Data: 9 de outubro de 2014

Horário: das 17h às 22h

Fone: 11 3804-9923

newcreators.art.br

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