Inspiração urbana

“As obras são repletas de sentidos e significados, retratam um cotidiano muito presente, além de coisas que estão ao nosso redor e que dificilmente percebemos no nosso dia a dia. Trata-se de uma exposição muito atual, com fotografias quem podem ser interpretadas de diferentes maneiras”. É assim que Caru M Magano, sócia da Fauna Galeria, em São Paulo explica a mostra “Centro, 738”. Trata-se da reunião de 20 trabalhos de dois talentos da fotografia: Felipe Russo e Nico Silberfaden. Os artistas mostram, cada um à sua maneira, os rastros que deixamos pelo caminho nos grandes centros urbanos, além da própria arquitetura, como prédios, calçados, muros e viadutos.

Felipe Russo

Felipe Russo

Pode-se dizer que Felipe e Nico têm visões complementares graças a suas histórias de vida, totalmente diferentes. Felipe Russo nasceu e cresceu na capital paulista, e tem uma relação forte com a metrópole. Postes deteriorados, pegadas sobre o cimento fresco, lixos no chão e calçadas remendadas são alguns dos temas presentes em suas imagens. “O vazio e os vestígios da passagem de homens e mulheres pelo centro de São Paulo aludem a uma série de questões sociais e pessoais. Quis traduzir todo o peso presente no silêncio”, explica.

Felipe Russo

Felipe Russo

Já Nico é um globe-trotter. Nascido na Argentina, ele morou nos Estados Unidos e no Brasil e hoje vive na França. As constantes mudanças fizeram com que questionasse a ideia de origem, lugar e cultura. Para a exibição “Centro, 738”, ele apresenta fotografias que mostram Los Angeles como um lugar imaginário, carregado de deslocamento, solidão e de desejo de pertencimento.  “Concluí, após vários anos em Los Angeles, que eu e esta cidade não possuímos uma identidade particular. Somos um lugar com passado, mas sem história, e por isso quis fazer esse trabalho”, explica. As duas visões complementares dos fotógrafos são justamente o que torna esta mostra tão interessante. E você, como vê a vida na cidade?

RedDoor, de Nico Silberfaden

RedDoor, de Nico Silberfaden

Tunnel, de Nico Silberfaden

Tunnel, de Nico Silberfaden

Serviço: 

Exposição “Centro, 738”

Local: Fauna Galeria – Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 470 – São Paulo

Data: de 17 de setembro a 18 de outubro de 2014

Horário: de terça a sexta, das 14:00 às 19:00, e aos sábados, das 11:00 às 17:00

Fone: 11 3668-6572

faunagaleria.com.br

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Aplicativo que ensina e diverte

Telas do aplicativo MAM Quebra-Cabeças

Telas do aplicativo MAM Quebra-Cabeças

Grande parte dos aplicativos de museus são uma visita virtual por seus corredores. Mas o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, resolveu inovar lançando um quebra-cabeça. “Percebemos que as redes sociais aumentam nosso relacionamento com o público e decidimos investir nesta nova forma de interação. Pesquisamos o que os outros museus fazem e chegamos a esta ideia”, contou ao portal Living Design Felipe Chaimovich, curador da instituição.

O app do MAM, que é possível baixar gratuitamente no iTunes ou no Google Play, é um quebra-cabeça. Uma vez dentro do jogo, o usuário escolhe a obra que pretende montar, opta pelo nível de dificuldade (fácil, médio ou difícil) e o aplicativo embaralha partes da obra escolhida. O jogador deve organizar as peças corretamente até formar a obra de arte original. Como prêmio por ter finalizado a obra, dá para salvar a imagem em seu celular, escolher uma moldura para personalizá-la e compartilhar em suas redes sociais.

“Das 5.400 obras do nosso acervo eu selecionei 51 segundo dois critérios: a importância do artista e as imagens dele que funcionassem bem no formato de quebra-cabeça”, contou Felipe Chaimovich. Entre as peças escolhidas estão “Paisagem”, de Tarsila do Amaral, “Zero Dolar”, de Cildo Meireles, “Variações”, de Nelson Leirner, e “Honra”, de Rochelle Costi.

 

 

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O Caravaggio da fotografia

Órfão aos 11 anos, Michelangelo Merisi da Caravaggio levou uma vida errante e boêmia e buscou sua luz na arte. E nela também expressou a escuridão de sua vida tumultuada. Resultado: ficou conhecido como o mestre das luzes e das sombras, tornou-se um dos símbolos da arte barroca e criou uma linguagem própria: o caravaggismo.

Ele foi a motivação para a fotógrafa ítalo-brasileira Mônica Silva lançar um projeto fotográfico que tenta explorar as pegadas do passado para contar o presente. “Re-amalgamar o que a alma sempre colheu como imenso, aprendendo a procurar este sentimento no recôndito do passado. ‘Lux Et Filum’ (luz e tela em latim), não só se inspira nas suas obras mais conhecidas mas as relê, partindo de uma simples pergunta: como teriam sido pintados hoje estes mesmos quadros seu autor?”, explica a artista.

Lux et Filum 1

Na obra de Mônica, o claro-escuro é substituído por tons pasteis que têm a função de manter os protagonistas das imagens quase suspensos no vazio. O resultado desta releitura não é um acúmulo de quadros do mestre da pintura, mas sim síntese e clareza, em que o passado e o presente se encontram em uma simbologia iconográfica comum. “Nas trilhas do passado criou-se algo de novo, a arte pictórica deixa espaço para a arte fotográfica, a apresentação das obras não ocorre mais em um cenário de museu, mas em um ambiente moderno, permitindo ao espectador flutuar em um lugar de fantasia”, conclui Mônica.

Para criar a cenografia da vernissage da mostra, que aconteceu na última segunda-feira na Casa Petra, em São Paulo, o videoartista Giuseppe La Spada montou instalações interativas que fizeram metaforicamente reviver os personagens em uma tela em movimento. O projeto “Lux Et Filum” foi criado em parceria com a grife têxtil italiana Reda com a missão de cultivar e preversar a beleza e o estilo italianos.

Lux et Filum 2

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Um hipopótamo no rio Tâmisa

O artista holandês Florentijn Hofman é conhecido por suas esculturas de grande escala criadas para mares e oceanos. Sua mais recente empreitada é um “Hippopothames”, de 21 metros de comprimento. O nome é uma brincadeira com o nome do rio Tâmisa em inglês (Thames) e com, é claro, o animal que ele retrata.

Construída nas docas, a escultura foi rebocada rio acima e faz parte do Totally Thames, uma programação que dura trinta dias com eventos artísticos e culturais sempre ao redor do rio londrino. Esta foi a primeira obra que Hofman fez para a Inglaterra e sua referência foi a pré-história da região, onde realmente viviam hipopótamos.

O animal – que fica à metade submerso – é composto de painéis de madeira sobrepostos e tem os olhos, a boca e o focinho pintados. “Minha ideia é dar às pessoas um intervalo de suas rotinas, motivar novas conversas e causar surpresa”, explicou o artista. O “Hippopothames” vai ficar por ali até o dia 28 de setembro.

Hipopótamo no Tâmisa 4

Hipopótamo no Tâmisa 3

Hipopótamo no Tâmisa 2

Hipopótamo no Tâmisa 1

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A sensualidade imagética de Erwin Blumenfeld em mostra

Erwin Blumenfeld - Autorretrato (1950)

Erwin Blumenfeld – Autorretrato (1950)

O fotógrafo alemão Erwin Blumenfeld, falecido em 1969, foi o responsável pelos principais cliques de moda publicados nas revistas Vogue e Harper’s Bazaar americanas nos anos 40 e 50. Mas se você está pensando em inocentes imagens de pin-ups com rostinho de boneca se enganou (salvo raras exceções, como uma clássica imagem de Grace Kelly exibindo toda a sua delicadeza em um vestido cor-de-rosa).

As imagens deste, que foi um dos fotógrafos mais influentes do século XX, são carregadas de sensualidade. E você vai poder conferir isto ao vivo, na mostra Blumenfeld Studio: New York, 1941 – 1960, que acontece no Museu de Arte Brasileira, dentro da Faap, em São Paulo. Da extensa produção de seus 35 anos de trabalho, foram escolhidas para a exibição mais de 90 impressões originais, totalmente restauradas em cores. São fotografias de moda, de campanhas publicitárias, retratos de personalidades, cartazes de propaganda e trabalhos experimentais de vanguarda, à época.

The Picasso Girl (1947)

The Picasso Girl (1947)

“Esta exposição traz aos brasileiros uma chance de conhecer de perto não somente o homem que revolucionou a fotografia de moda e propaganda no século XX, mas também um dos artistas dadaístas mais importantes do movimento fundado por Jean Harp no início do século passado”, explica Danniel Rangel, cocurador da mostra.

Blumenfeld fez sua primeira viagem à Nova York em 1938. Em 1941, depois de dois anos preso em um campo de concentração na França, se mudou para lá com a família. Lá, foi considerado pelo jornal The New York Times como “um líder excepcional em fotografia criativa”. Na primeira metade da década de 1950, trabalhou quase que apenas em fotografia preto-e-branco e desenvolveu repertório artístico de grande originalidade no uso da cor e nas fotos de moda. Também produziu grandes campanhas publicitárias de moda e beleza para clientes como Dior, Elizabeth Arden, Max Factor, L’Oréal e Helena Rubinstein.

Nancy Berg em uma campanha publicitária para a marca Chesterfield (1956)

Nancy Berg em uma campanha publicitária para a marca Chesterfield (1956)

Altamente inovador e muitas vezes contrariando o tradicionalismo, Blumenfeld desenvolveu seu próprio estilo, usando fotomontagem, solarização, slides coloridos e técnicas híbridas. Desde o início de sua carreira, foi influenciado pela ideia da fotografia como arte, desejando ser respeitado como artista, e não como fotógrafo de moda.

Rage for color (1958)

Rage for color (1958)

Serviço:

Blumenfeld Studio: New York, 1941 – 1960

Local: MAB-FAAP. Rua Alagoas, 903 – São Paulo

Data: 29 de outubro de 2014 a 18 de janeiro de 2015.

Horário: De terça a sexta-feira, das 10h às 21h

Aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h

Fone: 11 3662-7198

faap.br/museu 

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