Maria di Pace abre espaço cultural em São Paulo

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Em uma mesma parede estão um portal renascentista e quatro pinturas contemporâneas. Esta é apenas uma amostra da pluralidade da coleção pessoal do renomado arquiteto Ugo di Pace. “Tenho peças da Roma Antiga até obras dos dias de hoje”, contou ao portal Living Design o arquiteto, que cedeu este precioso acervo para uma exposição promovida por sua filha, a designer de interiores Maria di Pace para a inauguração do seu di Pace Arte & Design. Serão 250 peças na exibição “Arte Erudita no Decór”. O projeto cultural será um espaço para mostras, leilões e desfiles, na cidade de São Paulo.

“Quero passar informação de qualidade para as pessoas de maneira acessível e leve. Espero trazê-las para este universo. Por isso, já estamos fazendo uma programação que envolve de fotografia a moda, para que todos percebam que isso faz parte do nosso dia a dia”, disse Maria. O andar de baixo de um casarão no bairro do Morumbi foi decorado como uma sala e não deixa de ser uma homenagem a seu pai, que sempre pensou em seus projetos tendo como foco a arte.

Ugo montou seu acervo pessoal em meio a compras para seus clientes. “Nunca me desfiz de uma peça e hoje tenho em casa cerca de 450”, explica. E termina a entrevista de forma poética. “O que faço, ao projetar um ambiente, é criar uma cenografia para obras de arte. Nosso mundo é um grande teatro e nós somos protagonistas dele. Então essa cenografia é parte da nossa vida e estar rodeados por coisas belas nos transmite a obrigação de ser felizes”.

Di Pace 1

Di Pace 2

Di Pace 4

Di Pace 3

Serviço:

Exposição Acervo Ugo di Pace – “Arte Erudita no Decór”

Local: Espaço di Pace Arte & Design - R. Dr. Clovis de Oliveira, 450, São Paulo

Data: De 22 a 29 de outubro de 2014

Horário: das 14h às 20h

Fone: 11 3722-0477

Entrada Gratuita

dipacedipace.com.br

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A maior (e melhor) feira de arte contemporânea mundial

Frieze Art Fair

Frieze Art Fair

No Regent’s Park, de Londres, aconteceu a XII Frieze Art Fair, uma das maiores feiras de arte contemporânea do mundo, onde participam

mais de 162 galerias do planeta, e que foi visitada nos últimos anos por cerca de 60mil apaixonados, colecionistas e artistas. Mas, afinal, qual é a importância da Frieze, já que mostras de arte acontecem o tempo todo no mundo?

Public Sculpture, do brasileiro Alexandre da Cunha, e Stack VIII, do inglês Michael Landy

Public Sculpture, do brasileiro Alexandre da Cunha, e Stack VIII, do inglês Michael Landy

Na minha opinião, ela é muito apreciada (eu simplesmente não perco uma edição quando a agenda permite!) pela frequente presença dos autores das obras, que participam em debates, projetos de vídeo, trabalhos comissionados para a ocasião e encontros com o público. É muito comum ver pelos corredores Damien Hirst, por exemplo, poder conversar com ele e saber de seus interesses ou inspirações.

Because I Can't Have You I Want You, do inglês Damien Hirst

Because I Can’t Have You I Want You, do inglês Damien Hirst

Este ano, também, foi lançado o Frieze Artist Award, um prêmio destinado a um artista emergente, que foi selecionado pela francesa Mélanie Matranga. A feira prevê também duas sessões especiais: a Focus, dedicada a galerias com mais de 12 anos de atividade que apresentam projetos especiais para a feira e a Live, centralizada na performance e em trabalhos participativos.

Gartenkinder, da artista belga Carsten Holler, que transformou o stand da Gagosian Gallery em um parque infantil 2

Gartenkinder, da artista belga Carsten Holler, que transformou o stand da Gagosian Gallery em um parque infantil

Pela terceira vez foi organizado o Frieze Masters, reservado às artes antiga e moderna: de um retrato de Rembrandt do século XVII até estátuas do neolítico de sete mil anos atrás.

A feira ainda é acompanhada de numerosos eventos ligados ao mundo da arte e toda Londres se vê tomada por mostras, encontros e a presença de artistas. Galerias privadas abrem ao público, artistas emergentes expõem suas obras em cantos incríveis da cidade e acontecem inaugurações de novas mostras, como aquelas de Rembrandt na National Gallery e do fotógrafo e pintor Sigmar Polke na deliciosa Tate Modern.

Suicide Painting LI, Suicide Painting XLVII e a instalação Coffee Table-Coke Table, tudo de Rob Pruitt

Suicide Painting LI, Suicide Painting XLVII e a instalação Coffee Table-Coke Table, tudo de Rob Pruitt

Se você quiser participar ano que vem, anote os endereços que frequento e que são imperdíveis. Ah, as galerias abaixo também estão abertas fora da época de Frieze, claramente:

Frieze London, no Regent’s Park

Frieze Masters, no Regent’s Park

Pad London, na Berkley Square

Christie’s

Sotheby’s

Phillips, 30 Berckley Square

Royal Accademy of Arts, Burlington House Picadilly

Gagosian, 6-24 – Britannia Street

Colored Knives on Black, do artista iraniano Farhad Moshiri

Colored Knives on Black, do artista iraniano Farhad Moshiri

Frieze Master, de Victoria Miro

Frieze Master, de Victoria Miro

Hanami do artista alemão Thomas Demand

Hanami do artista alemão Thomas Demand

Obras de Jean Tinguely

Obras de Jean Tinguely

Obras de Paolo Scheggi

Obras de Paolo Scheggi

Pinturas e instalações do artista americano Mark Hagen

Pinturas e instalações do artista americano Mark Hagen

RE Vuillard (LAX), do artista americano Friedrich Kunath

RE Vuillard (LAX), do artista americano Friedrich Kunath

Sem título, do norueguês Fredrik Vaerslev, e A Fountain, do americano Oscar Tuazon

Sem título, do norueguês Fredrik Vaerslev, e A Fountain, do americano Oscar Tuazon

Estúdio do artista alemão Thomas S

Estúdio do artista alemão Thomas S

 

* Fotos: Carl Court, da Getty Images

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Do tempo da delicadeza

Um dos maiores artistas que o país já viu, Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Era filho de imigrantes italianos, colecionou prêmios no exterior e se imortalizou retratando a cultura brasileira – e contando nossa história – em painéis e quadros que estão espalhados pelo mundo.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 1

O que pouca gente sabe é que ele criou um cômodo reproduzindo uma capela para sua avó, quando esta estava com idade avançada e pouca saúde e não podia se locomover até a igreja da cidade. A obra apresenta os santos de devoção da “Nonna”, retratados com a fisionomia de familiares e amigos de Portinari, uma tradição presente na pintura do século XV, principalmente entre artistas flamengos e italianos.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 2

Agora, o Museu de Arte Sacra de São Paulo em parceria com o Museu Casa de Portinari, exibe “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”, uma réplica em tamanho real do cômodo que o artista dedicou à avó.

Capela da Nonna - Fé, Religiosidade e Arte 4

Por meio de painéis e recursos cênicos, o espaço original foi recriado com as mesmas pinturas feitas pelo artista: “São Francisco de Assis”, “Santa Luzia”, “São Pedro”, “São João Batista” e a “Sagrada Família”, entre outras. O cenário escolhido não podia ser melhor: o Museu de Arte Sacra de São Paulo fica na ala esquerda térrea do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista. Sua edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, tombado, inclusive, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Serviço:

Exposição “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”

Local: Museu de Arte Sacra – Avenida Tiradentes, 676 – São Paulo

Data: De 8 de outubro a 15 de dezembro de 2014.

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábados e domingos, das 10h às 18h

Fone: 11 3326-3336

Ingresso: R$ 6,00. Grátis aos sábados

museuartesacra.org.br

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Exposição “Todos à Mesa” e a beleza do cotidiano

Obra da série Cozinha e Cia das Índias Versus Quarker

Obra da série Cozinha e Cia das Índias Versus Quarker

Aquele chamado que todas as mães costumam fazer para reunir a família em torno da mesa para fazer uma refeição unida foi a inspiração do artista carioca Bruno Miguel para esta mostra. Em “Todos à mesa”, em cartaz até o dia 13 de novembro na galeria Emma Thomas, Bruno expande sua pesquisa acerca da pintura e avança em sua exploração formal e conceitual através de seu uso inovador de materiais e técnicas não-tradicionais, incluindo resina, madeira, pratos, xícaras, travessas e copos de uma vasta coleção adquirida em lojas de antiguidades e leilões.

O artista prossegue com sua abordagem não convencional da pintura e, com a curadoria de Monica Espinel, apresenta mais de trinta trabalhos de séries diferentes serão apresentados, incluindo “Índice para artistas viajantes”(2013), “A história é contada pelos vencedores”“Cozinha”, “Ceci n’est pas une peinture”“Cafezinho?” e “Sala de Jantar”, todos de 2014.

“Todos estes pratos e materiais que uso, compro em leilões de antiguidade, pois não estou usando só a materialidade do objeto, mas também sua história pregressa. Em um conjunto como o “Sala de jantar”, os  pratos podem ter vindo de até cinquenta famílias… Os objetos testemunham a vida das pessoas”, diz Bruno, que mescla em sua pesquisa elementos da alta e baixa cultura e utiliza-se de suas memórias para relacionar ambientes domésticos cotidianos a seu interesse pela cultura pop e midiática contemporânea

Serviço:

Mostra “Todos à Mesa”

Local: Galeria Emma Thomas – Rua Estados Unidos, 2205 – São Paulo

Data: De 11 de outubro a 13 de novembro de 2014

Horário: De terça à sexta-feira, das 11h às 19h; aos sábados das 11h às 17h

Entrada gratuita/ Livre

emmathomas.com.br

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31ª Bienal de Artes de São Paulo

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Cartaz da Bienal

Se é verdade que a Bienal de Artes de São Paulo nunca teve medo de chocar, em sua 31ª edição este direcionamento fica ainda mais claro. Ao longo de sua história, sempre privilegiou a arte moderna, pois foi a escola que mostrou a produção brasileira para o mundo. Mas este ano, o evento está ainda mais cheio de novidades. Ou melhor, de “primeiras vezes”.

Colagem Zona de Tensão, de Hudinilson Jr.

Colagem Zona de Tensão, de Hudinilson Jr.

Com o tema “Como procurar coisas que não existem”, traz o andar térreo com um espaço livre, para convivência, com bancos e até parte do acervo da biblioteca da Bienal. É possível permanecer ali quanto tempo se quiser, sem precisar passar pelas catracas. Mas a própria concepção da mostra foi diferente. Em uma iniciativa inédita, cinco curadores estrangeiros foram convidados para fazer a seleção das peças: o escocês Charles Esche , os espanhóis Pablo Lafuente e Nuria Enguita Mayo,  os israelense Galit Eilat e Oren Sagiv. E isto deu o que falar.

O Mapa Teatro Os Não Contados, do Laboratório de Artistas

O Mapa Teatro Os Não Contados, do Laboratório de Artistas

Em um processo que demorou mais de um ano, eles viajaram o Brasil realizando encontros entre curadores, galeristas, artistas e público para entender como o país está se organizando culturalmente e como vemos a arte. A partir destes encontros, selecionaram artistas e propostas, muitas delas de residências artísticas de estrangeiros que estavam em São Paulo. O resultado? Mais polêmica: poucos foram os artistas selecionados que são representados por alguma galeria. Culturalmente, o brasileiro tende a achar que, por esta razão, não são bons o suficiente para um evento deste porte.

O vídeo Inferno, de Yael Bartana

O vídeo Inferno, de Yael Bartana

Mas a verdade é que praticamente todas as 250 obras impressionam, chocam e até causam repulsa. Sim, porque não espere encontrar uma arte bela. As temáticas predominantes são a sexualidade, a religião, os gêneros, as manifestações sociais e até o aborto. “Estamos mais potentes no discurso que na estética”, é o que dizem seus organizadores. Vá pronto para encontrar a Bienal mais underground da história dos eventos organizados no (sim) belo Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer em meio ao parque do Ibirapuera.

Parte da obra Casa de Caboclo, de Arthur Scovino

Parte da obra Casa de Caboclo, de Arthur Scovino

Serviço:

31ª Bienal das Artes de São Paulo

Local: Pavilhão da Bienal, no portão 3 do Parque do Ibirapuera, na Avenida Pedro Álvares Cabral, em São Paulo

Data: de 6 de setembro a 7 de dezembro de 2014

Horário: às terças, quintas, sextas, domingos e feriados, das 9:00 às 19:00. Às quartas e sábados, das 9:00 às 22:00

Entrada gratuita

31bienal.org.br 

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