A natureza como inspiração

Edit Szabó 1

Objetos de arte, móveis ou esculturas? A definição pouco importa. O que interessa é que as criações da designer e escultora húngara Edit Szabó são arquitetonicamente funcionais e respeitam uma tradição artística, demonstrando o papel de um objeto em determinado ambiente, com suas particularidade e estética fora do lugar-comum.

Edit Szabó 2

De seu estúdio, em Budapeste, saem os mais diferentes trabalhos conceituais, com destaque para os móveis de rua e itens de porcelana. O trabalho com volumetria ocupa boa parte de seu tempo e o mais recente resultado é a linha de bancos de cerâmica “Tame”. Orgânicos, os móveis se inspiram em dois animais selvagens que podem ser domados (“tamed”, em inglês): o urso e a raposa. A primeira linha tem alturas variadas, para adultos e crianças. A segunda, foi pensada para uma disposição em série, com as peças se encaixando. Elas podem ganhar rodinhas e virar um quebra-cabeças alterado ao sabor do vento.

Edit Szabó 3

No processo de produção, Edit contou com a fábrica Zsolnay Pyrogranite para moldar uma argila chamada chamote. Primeiro, foram desenvolvidos moldes negativos, onde a matéria-prima era colocada, depois ela era levada a altas temperaturas para endurecer e se tornar resistente à água e a raios solares. As peças podem, então, ser deixadas ao tempo, e ainda são fáceis de limpar e leves. Para a continuação deste trabalho, Edit diz que está buscando inspiração em canteiros de plantas e silos.

Edit Szabó 7

Edit Szabó 8

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Transparência na sala

Poltrona Inflável 4

Ahhh, a criatividade dos jovens. A estudante de design israelense Tehila Guy criou, para seu trabalho de conclusão de curso na Bezalel Academy of Art and Design a “Anda”. Trata-se de uma poltrona inflável com pés de madeira. “Eu quis desenhar um móvel fora das normas, em um campo que pode parecer saturado”, explicou.

Poltrona Inflável 1

Como parte do processo de criação, a estudante precisou trocar a matéria-prima convencional e as tecnologias comumente empregadas para cumprir seu principal objetivo: facilitar o packaging e o transporte da peça, porém mantendo-a confortável e em tamanho comercial. Foi quando ela começou a pesquisar estruturas infláveis, consideradas relíquias baratas dos anos 60, com poucas possibilidades de trabalho.

Poltrona Inflável 2

A base de madeira dá sustentação à poltrona e torna-a a fácil de transportar e manter, e melhor: a um preço justo. “O principal desafio foi descobrir as relações corretas entre a parte inflável e a base de madeira”, disse Guy. “A transparência do material inflável revela a madeira e torna viável a execução da peça”, completa.

Poltrona Inflável 3

Assista ao vídeo que mostra a montagem (incrivelmente simples) da poltrona “Anda”:

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Beleza à mesa

Vaso 5

As linhas arredondadas, o trabalho artesanal no vidro e o toque feminino resumem o estilo da designer norueguesa Kristine Five Melvær, de  30 anos. “Eu procure focar no potencial criativo dos objetos como um meio de criar conexões emocionais entre o objeto e o usuário”, define. Formada em design industrial e comunicação visual, ela já exibiu seu trabalho em Milão, Nova York, Los Angeles, Tóquio, Paris e Londres.

Vaso 1

Em parceria com a companhia especializada em vidro Magnor Glassverk, ela criou o que talvez sejam suas peças mais belas: a série de vasos “Bulbous”. Com o trabalho de sopro dos artesãos da Magnor, ela desenvolveu objetos coloridos e, ao mesmo tempo, delicados. “Os vasos exploram a tensão e a relação entre suas formas tridimensionais e sua superfície gráfica”, explica a designer.

Vaso 3

Para criar este efeito, ela sobrepôs duas camadas de vidro de cores diferentes ou de aspectos opostos, como opaco e brilhante. Alguns dos vasos usam uma técnica chamada graal. “O vidro é soprado dentro de um molde em forma de cápsula e em seguida jateado, para revelar um padrão que lembra veias. Depois, ele é reaquecido e assoprado novamente, para assumir a forma final”, destaca.

Vaso 4

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Cidade gráfica

Tipos Malditos (1998-2014)

Tipos Malditos (1998-2014)

O design gráfico como objeto de discussão, debate e difusão. Esta é uma das propostas do Itaú Cultural, instituição que promove algumas das mostras mais bacanas de São Paulo. Agora é a vez de “Cidade Gráfica”, que começa no dia 19 de novembro e apresenta um panorama da produção gráfica no país, a partir de um tema: a vida urbana. Serão 40 obras de 36 artistas, incluindo desde trabalhos produzidos no circuito comercial ou institucional até pesquisas, práticas alternativas, plataformas críticas ou atuações políticas que ultrapassem ou questionem as fronteiras convencionais da atuação profissional do designer.

Campanha Não-eleitoral (2012)

Campanha Não-eleitoral (2012)

Celso Longo, Daniel Trench e Elaine Ramos, os curadores da exposição, selecionaram parte das obras em uma chamada aberta realizada este ano, que convocou trabalhos no campo do design gráfico que tivessem a cidade como tema, suporte ou discurso. Entre os selecionados, estão nomes como Marcelo Drummond, François Chastanet, Hélvio Romero, Daniel Escobar, Guilherme Luigi, Augusto Sampaio, da dupla Bruna Canepa e Ciro Miguel e os coletivos Piseagrama, Garapa e Oitentaedois.

Projeto Estúdio Valongo (2011)

Projeto Estúdio Valongo (2011)

O resultado é um conjunto de práticas no circuito do design visual que colaboram com a reflexão sobre a cidade, com suas especificidades, complexidades e problemáticas, de uma perspectiva crítica, criativa ou poética. Vai perder?

Movimento Tipografico B

Movimento Tipografico B

Serviço:

Exposição “Cidade Gráfica”

Local: Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149 – São Paulo

Data: de 19 de novembro de 2014 até 4 de janeiro 2015

Horário: De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Fone: 11 2168-1777

Entrada franca

novo.itaucultural.org.br 

*fotos: Piseagrama, Augusto Sampaio, Coletivo Oitentaedois , Marcelo Drummond

 

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Coleção Quadrado

Rodrigo Almeida

Rodrigo Almeida

“Trancoso parece estar suspensa no tempo e foi isso que mais me impressionou lá”, disse o designer Rodrigo Almeida, que se identificou com essa charmosa cidade bahiana porque ela tem exatamente o que ele busca em seu trabalho: a perenidade sem uma definição limitadora, como “moderno” ou “vintage”.

Rodrigo 3

Rodrigo 5

E foi de lá que ele tirou inspiração para as peças da mostra “Quadrado”, em cartaz entre os dias 22 de outubro e 1º. de novembro, na Galeria Nacional, em São Paulo. Rodrigo desenvolveu a coleção de objetos e móveis para casa em uma residência de design promovida pela revista Wish Casa em parceria com o hotel Uxuá. As pitorescas casas coloridas do Quadrado de Trancoso foram o ponto de partida.

Rodrigo 6

A ideia inicial era usar objetos reciclados e matérias-primas da região. No hotel e em seu entorno, Rodrigo garimpou pedaços de troncos, janelas descartadas, cadeiras e bancos antigos. Com sua expertise e sem perder a forte identidade de seu trabalho, somou a esses achados algumas peças que havia levado na bagagem, como retalhos de couro, tecidos, tintas e pedaços de madeira. O resultado se desdobra em peças como as cadeiras Cabocla e Nozinhos, os bancos Caburé e Bandeira, as luminárias São João e Lajota, e algumas almofadas finalizadas por costureiras locais.

Rodrigo 7

Rodrigo 8

Serviço:

Coleção “Quadrado”, por Rodrigo Almeida

Local: Galeria Nacional – Rua Barão de Capanema, 208, São Paulo

Data: de 22 de outubro a 1º de novembro de 2014

Horário: segunda, terças, quartas e sextas-feiras, das 10h às 19h; quintas-feiras, das 14h às 19h, e aos sábados, das 11h às 17h

Fone: 11 3063-5731

galerianacional.com.br 

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