Design & comunicação

A galeria sueca de arte contemporânea Liljevalchs Konsthall tem quase 100 anos e organiza pelo menos quatro grandes exposições por ano. Uma delas, que aconteceu entre junho e setembro este ano, é focada no artesanato, a “Attention: Craft”.

Para divulgar o evento, a galeria contratou a Snask, agência especializada em branding. Os designers criaram pôsteres, a capa do catálogo e um trabalho tipográfico artesanal, que exibe a palavra “Craft” com letras esculpidas em diferentes materiais como mármore, cobre, porcelana, pedra e madeira.

Veja o resultado:

Cartaz 1

Cartaz 2

Cartaz 3Cartaz 4

Cartaz 5

Cartaz 6

Cartaz 7

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Arrivederci hipsters

Nas periferias do mundo (incluindo a Itália), o hipster ainda pipoca pelas ruas, mas já acabou como fenômeno cultural nas suas bases: a zona de Williamsburg, na região do Brooklyn, que tem, na Bedford Avenue, a maior concentração de barbas longas, calças estreitas com barra dobrada, locais com produtos orgânicos e “digital divide” (algo como “exclusão digital”, ou a ausência de wi-fi nos bares, como forma de libertação da escravidão online). Estes personagens são sempre jovens, brancos, e despreocupados com grifes, pois se vestem geralmente com jeans skinny e camisas de “lenhador americano”, juntamente com óculos de aro grosso. Os homens adoram seus bigodes irônicos e as mulheres têm como musa Chloë Sevigny. Eles trazem, no extremo de seu comportamento, uma mistura de desprezo e ódio, que colocam no mundo com alguma leveza e um ar muito blasé e, arrisco, elegante.

A evolução do hipster de 2000 a 2009

A evolução do hipster de 2000 a 2009

A palavra hipster nasceu nos anos 40 com os afro-americanos amantes do bebop que se vestiam de maneira excêntrica para distinguirem-se dos músicos de swing. Depois da guerra, o rótulo serviu para os brancos que imitavam os jazzistas de cor. E a expressão retornou com força no início dos anos 90 para definir os jovens de 20/30 anos que ostentavam um estilo de vida independente, que se manifesta sobretudo através de suas radicais escolhas de consumo e de moda. O termo registrou seu pico de popularidade em 2010, para depois tornar-se mainstream.

Uma das constatações do início de seu declínio como fenômeno de massa veio com um evento isolado, que poucos perceberam: a inauguração da normalíssima loja J Crew, em Williamsburg, na Wythe Avenue. Isto porque, pelo conteúdo moda que oferece, a loja aposta em uma clientela muito mais próxima às mamães bem vestidas de Park Slope do que aos aspirantes a escritores que passam as noites a se inspirar nos bares nova-iorquinos.

Hipster é moda!

Hipster é moda!

Pelo visto, estão ficando para trás os tempos em que os barbudos do Brooklyn passeavam em suas bikes, mas isso também acontece em East London e em Kreutzberg, Berlim. Está se tornando bem mais interessante e glamouroso usar um rabo de cavalo com a última peça da coleção cápsula de uma marca famosa qualquer do que usar as bolsas vintage marrom de couro sustentável que contêm um romance autobiográfico, uma das peças distintivas dos hipsters. Também observei a última campanha da  Gap, chamada “Dress Normal” e realizada pela sofisticada Sofia Coppola, que cada movimento de câmera reforça o novo imperativo que parece ter sido roubado dos hipsters fundamentalistas: a normalidade é cool.

Estamos percebendo o retorno dos anos de normalidade. Na moda, isto fica clara o estilo normcore; no cinema, com o filme Boyhood, que levou mais de 10 anos para ser realizado, e na cultura pop, com a simpática neo-feminista Lena Dunham superando a estranha Miranda July.

A ícone hipster Agyness Deyn

A ícone hipster Agyness Deyn

Claro que esta mudança tem suas críticas. Foi muito polêmico o artigo do NYT, de Vanessa Freedman, que definiu esta mudança de eixo do hipster para o new normal como o “the new mediocre”, ou seja, a nova mediocridade, denunciando a incapacidade da cultura contemporânea de inventar qualquer coisa nova, desde a passarela até os romances, e, claro, a política. Concordo com ela, principalmente por ter achado tão “mais do mesmo” as últimas fashion weeks, principalmente aqui de Milão, que foram um mix de ideias requentadas dos anos 60 e 70.

Nesta visão, o “new normal” é ainda um produto dos hipsters dos anos 90, mas com uma diferença: enquanto aqueles roubavam da subcultura as ideias e os estilos mais elitistas e superficiais para afirmar desesperadamente uma diversidade aparente, os normais do novo milênio recuperam do passado valores e princípios, como a família (contra o individualismo do egocentrismo hipster), a comida saudável mas laica (contra a ditadura do orgânico), o empenho político (contra o cinismo do “tudo é uma porcaria”) e o fim da ambiguidade sexual como cifra estilística (contra os eunucos de barba que são, no fundo, mais machistas do que um encanador dos anos 50, se é que me entendem!)

Um look da coleção Hipster da marca Pull&Bear, em 2012

Um look da coleção Hipster da marca Pull&Bear, em 2012

Mas o que vem agora? Se não terminar definitivamente, esta grande tribo passará por uma grande “revisão”. Até porque é um fato concreto o declínio dos skinny jeans e dos looks feminilizados com cabelos compridos, justamente porque estamos na outra ponta do iceberg comportamental, assistindo à aproximação de uma feminilização do mundo, de forma tranquila, porém progressiva. No seu lugar, justamente para uma saudável oposição, penso que surgirá um look mais “macho man”, talvez até inicialmente como uma caricatura, para que o homem possa retomar sua identidade. Veremos…

Outro look Hipster

Outro look Hipster

Para quem gosta do tema, recomendo os seguintes artigos:

Este texto aqui marcava a maturação do fenômeno.

Este aqui fala sobre o que é normcore na moda.

E este outro aqui, sobre o fim dos hipsters.

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Brasileiro em Hollywood

Obra “Bullet Chair”, feita em inox e vidro à prova de bala, e torre de luz “Little Box”

Obra “Bullet Chair”, feita em inox e vidro à prova de bala, e torre de luz “Little Box”

Para o artista paulistano Alê Jordão, o objeto-obra não é apenas aquilo que sobra de um processo construtivo, mas algo que se forja e retém os significados dos modos de construir. Talvez por isso seu material preferido nestes últimos 12 anos seja o inox. “É um material simples, porém provocativo, irreverente e bastante conceitual”, explica ele, que já tem esculturas em inox expostas no Rio de Janeiro, São Paulo, Milão, Munique e Miami.

Sua mais nova empreitada é uma exposição na Galeria Thomas Hayes, que fica em Hollywood. Em “In & Out: 2004-2014”, ele vai mostrar uma série de peças em inox, como a incrível Bullet Chair, além de fotografias e pinturas. O artista também ocupará a fachada da galeria em colaboração com o fotógrafo americano Mark Oblow.

“Na obra de Alê Jordão, a intenção e o processo de trabalho se evidenciam e potencializam cada objeto. As indagações, a ironia e a crueza de nosso tempo estão presentes de forma a propor ao espectador inquietações muito bem vindas”, concluem os curadores Marcelo Vasconcellos e Alberto Vicente, da galeria carioca MeMo.

Serviço:

Mostra “In & Out: 2004 – 2014”, por Alê Jordão 

Local: Thomas Hayes Gallery – 6161, Santa Mônica Boulevard, Hollywood, Estados Unidos

Data: até 13 de dezembro de 2014

Horário: de segunda a sexta das 10h às 18h e aos sábados das 12h às 17h

thomashayesstudio.com

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Novos talentos em foco

Uma cadeira de balanço da vovó foi a inspiração para o projeto vencedor do 9º Prêmio de Design Universitário Tok&Stok, que tinha como tema, este ano, os bancos. O móvel Nona Bantrona de Balanço, desenvolvido por Tatiemi Iwamoto, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), é uma junção criativa da clássica poltrona com a tradicional cadeira de balanço na forma de um banco. E ainda possibilita o uso de diferentes combinações de materiais e acabamentos, como policarbonato e vinil, madeira e estofamentos ou polipropileno e poliuretano.

Em 1o lugar ficou a peça Nona Bantrona de Balanço, de Tatiemi Iwamoto, da UFPR

Em 1o lugar ficou a peça Nona Bantrona de Balanço, de Tatiemi Iwamoto, da UFPR

A peça conseguiu cumprir perfeitamente – e com muita criatividade – os critérios estabelecidos pelos premiadores: contemporaneidade, jovialidade, minimalismo, preço adequado ao público-alvo, condições de armazenagem, entrega e retirada pelos clientes. Além disso, os participantes podiam utilizar, no máximo, três matérias-primas.

Em segundo lugar ficou Muryel Peres Rejes Bomfim, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que desenvolveu o Banco Maria, estruturado em madeira maciça de reflorestamento, e com uma fina chapa de metal vazada no padrão floral-circular. A terceira colocação ficou para o Banquinho OVNI, de Cícero Felix de Oliveira Junior, da UNESP (Universidade Estadual Paulista). Inspirado no urbano vintage das décadas de 50 e 60 e na temática de naves extraterrestres, é totalmente desmontável e tem o assento em MDF com acabamento em laca, e estrutura em aço trefilado e eucalipto.

Em 2o lugar, o Banco Maria, de Muryel Peres Rejes Bomfim, da UFRJ

Em 2o lugar, o Banco Maria, de Muryel Peres Rejes Bomfim, da UFRJ

Eles foram os vencedores entre 60 finalistas selecionados de 1.152 projetos inscritos e dividiram, entre si e com seus orientadores, o valor de R$ 30 mil. Também foram entregues quatro menções honrosas a projetos que se destacaram. São eles: Banquinho Empilhar, de Thiago Oliveira de Antonio (da UNESP), Banquinho Steel Stol, de Carlos Alberto de Melo Junior (da UFPR), Pot-Pourri, de Klivisson Dennison Campelo dos Santos (da UFPB) e Banco Tal, de Muriel Borges Barcellos Dias (da UFRJ).

Na cerimônia de premiação, que aconteceu no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, já foi anunciado o tema para o 10º Prêmio Design Universitário: será “cadeira”. O que será que vem por aí?

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Premiação do Brasil Design Awards 2014

convite BDA

Com apoio do portal Living Design, o Brasil Design Awards 2014 acontece no dia primeiro de dezembro e os convites já estão à venda. O evento é importante, pois é um selo de garantia de produtos de qualidade, boa funcionalidade e processo produtivo ético e sustentável.

O BDA traduz a importância do conhecimento como insumo de produção e como transformador do sistema de produção. A criatividade é o que dá valor a um objeto e traz vantagem competitiva a uma empresa, e é ela que é valorizada aqui. Realizado desde 2009 pela Abedesign (Associação Brasileira de Empresas de Design), o prêmio visa ampliar a visibilidade da capacidade criativa brasileira, estabelecendo referências de excelência para o design nacional.

Sua dinâmica é única: ele não aceita inscrições. Todos os indicados são selecionados a partir de seus desempenhos individuais, nas principais premiações nacionais e internacionais de design. E então, você não pode perder esta, não é?

Serviço:

Premiação do Brasil Design Awards 2014

Local: IED – Rua Maranhão, 617, São Paulo

Data: 1º de dezembro

Horário: 19h

Fone: 11 3067-6132

R$ 150 para associados da ABEDesign e R$250 para não associados

abedesign.org.br

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